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CPMI quebra sigilo de Lulinha, sessão termina em tumulto
Comissão aprova acesso a dados bancários e fiscais do filho de Lula em meio a empurra-empurra; base governista recorre a Davi Alcolumbre enquanto aliados discutem estratégia eleitoral para 2026
26/02/2026 18h15
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão foi marcada por empurra-empurra, troca de agressões e pedido de anulação da votação por parte da base governista.

O requerimento foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sob a alegação de que mensagens apreendidas pela Polícia Federal mencionariam Lulinha como possível “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo a investigação, ele seria intermediador de um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados.

Confusão e pedido de anulação

Após a votação simbólica por contraste visual, houve tumulto no plenário. Deputados como Rogério Corrêa (PT-MG), Evair de Melo (PP-ES), Luiz Lima (Novo-RJ) e o próprio Alfredo Gaspar se envolveram no empurra-empurra. Luiz Lima afirmou ter recebido um soco; Rogério Corrêa admitiu ter atingido o colega ao ser empurrado e pediu desculpas.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a anulação do resultado, alegando erro na contagem dos votos. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitou o pedido e manteve o placar de 14 a 7.

Com a decisão, a comissão poderá acessar extratos bancários, declarações de Imposto de Renda e contratos do empresário.

Governo recorre a Alcolumbre

A base governista confirmou que recorrerá ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para questionar a validade da votação. O argumento é de que Lulinha não figura formalmente como investigado e que houve irregularidade no procedimento.

Até o momento, Lulinha não se manifestou.

Contexto político e articulações para 2026

O episódio ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026. Em entrevista recente, o ministro da Educação, Camilo Santana, defendeu a ampliação do arco de alianças do presidente Lula e admitiu a possibilidade de mudança na vice-presidência para fortalecer a coalizão.

Camilo citou nomes do MDB, como Renan Filho e Helder Barbalho, como potenciais parceiros estratégicos, reforçando a importância de alianças com partidos do centrão em cenário de forte polarização.

A combinação entre investigação parlamentar, embates no Congresso e negociações eleitorais amplia a tensão política em Brasília e deve manter o caso no centro do debate nos próximos dias.