O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso inflamado no Congresso neste domingo (1º), no qual atacou duramente a oposição kirchnerista e chamou parlamentares de “bando de ladrões” e “delinquentes”.
O pronunciamento durou uma hora e 43 minutos. Durante a fala, Milei elencou o que considera conquistas de seu governo e confrontou deputados e senadores que reagiam às declarações no plenário.
Em meio a interrupções, o presidente afirmou que seus opositores são “inimigos dos argentinos” e os responsabilizou pelo aumento da pobreza no país.
Ao mencionar a ex-presidente Cristina Kirchner, Milei declarou: “Por isso sua líder está presa”. Em junho de 2025, a Suprema Corte argentina confirmou a condenação de Cristina a seis anos de prisão por corrupção, ao rejeitar recurso apresentado pela defesa.
Milei também voltou a negar acusações de corrupção envolvendo sua irmã e integrantes da cúpula do governo, após a divulgação de áudios em 2025 que apontariam suposta cobrança de propinas.
“Sigam com sua opereta. As pessoas sabem que vocês são um bando de mentirosos, sabem que os áudios são falsos”, afirmou o presidente.
Chamado de “fascista” por um parlamentar durante a sessão, Milei respondeu defendendo sua posição ultraliberal e reiterando a proposta de um “Estado mínimo”.
Ele citou o livro A Doutrina do Fascismo para argumentar que a ideia de concentração total de poder no Estado não tem relação com seu projeto político. “O que isso tem a ver comigo? Tem a ver com vocês”, disse, direcionando a crítica aos opositores.
O discurso reforça o clima de polarização política na Argentina, em um momento de tensão institucional e de debates intensos sobre as reformas econômicas propostas pelo governo Milei.