As ações da Petrobras chegaram a subir 5,59% nesta segunda-feira (2), refletindo a forte alta do petróleo no mercado internacional após a escalada da guerra no Oriente Médio.
Na máxima do pregão, os papéis preferenciais da estatal atingiram R$ 41,53. Por volta das 17h37, avançavam 4,52%, cotados a R$ 41,10. As ações preferenciais dão prioridade no recebimento de dividendos, mas não conferem direito a voto.
Outras petroleiras também acompanharam o movimento: a Prio subiu até 6,68% e a Brava Energia avançou até 4,98%.
A alta ocorre em meio ao temor de interrupções no fornecimento global de petróleo. O comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz estaria fechado e ameaçou incendiar embarcações que tentassem atravessar a região.
O estreito é considerado um gargalo estratégico: cerca de 20% do petróleo mundial passa por ali.
O Brent, referência global, chegou a subir quase 14% na abertura de domingo (1º), atingindo US$ 81,89 — maior valor intradiário desde junho de 2025. Nesta segunda, o barril chegou a US$ 80,27, com alta superior a 10%.
Já o WTI, referência nos Estados Unidos, saltou mais de 12% no domingo, chegando a US$ 74,99. Nesta segunda, operou perto de US$ 73,37, avanço de 9,47%.
Segundo relatório do Banco BTG Pactual, a redução do tráfego marítimo, o aumento dos custos de seguro e o risco de navegação comprimem a oferta no curto prazo e adicionam um prêmio geopolítico ao Brent.
Mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, ancoraram nas imediações do estreito, segundo dados de tráfego marítimo.
O dólar fechou em alta de 0,59%, cotado a R$ 5,1642.
O Ibovespa encerrou o dia próximo dos 190 mil pontos, com alta de 0,58%, puxado principalmente pelo setor de óleo e gás.
Apesar do avanço das petroleiras, o cenário global segue de aversão ao risco. Bolsas internacionais registraram queda, e setores como aviação e turismo foram os mais afetados.
A disparada do petróleo ocorre após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã no sábado (28), que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Em resposta, Teerã atacou bases americanas e alvos estratégicos na região.
A tensão elevou os riscos no transporte marítimo e levou ao fechamento temporário do Estreito de Ormuz, ampliando as preocupações com a oferta global da commodity.
Com a escalada, o mercado monitora a duração do conflito. Analistas apontam que o impacto nos preços do petróleo — e, consequentemente, nas ações do setor — dependerá da extensão das hostilidades nos próximos dias.