O presidente da França, Emmanuel Macron, cantou o hino nacional francês, “La Marseillaise”, diante de um submarino equipado com ogivas nucleares antes de anunciar a ampliação do arsenal atômico do país. O gesto simbólico ocorreu nesta segunda-feira (2), em uma base estratégica na Bretanha, no noroeste francês.
Durante o discurso, Macron afirmou que a França vive um momento de forte instabilidade internacional e que o risco de conflitos “ultrapassarem os limites nucleares” exige reforço na capacidade de defesa.
O presidente confirmou que a França ampliará seu estoque de ogivas e poderá, “sob certas circunstâncias”, posicionar ativos estratégicos em países vizinhos. A proposta é oferecer uma espécie de guarda-chuva nuclear europeu diante da escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo Macron, países como Alemanha, Polônia, Bélgica, Dinamarca e Holanda já foram informados sobre os planos. Ele garantiu que a medida respeita os compromissos da Otan e foi comunicada também a Londres e Washington.
A decisão francesa ocorre após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã no sábado (28), que desencadearam um conflito de maior escala no Oriente Médio. O governo francês criticou a falta de consulta prévia aos parceiros europeus antes da ofensiva.
Atualmente, apenas França e Reino Unido possuem armas nucleares na Otan. O arsenal francês é estimado em cerca de 290 ogivas, distribuídas principalmente entre submarinos de propulsão nuclear e mísseis lançados por aviões de combate.
O anúncio também acontece após o fim do último acordo de limitação de armas estratégicas entre Estados Unidos e Rússia, decisão tomada pelo presidente Donald Trump em fevereiro.
Especialistas alertam que o enfraquecimento dos tratados internacionais pode acelerar uma nova corrida armamentista. Ao entoar o hino diante do submarino nuclear, Macron buscou reforçar a mensagem de soberania e prontidão militar em um cenário que volta a colocar a segurança europeia no centro da disputa geopolítica.