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Moradores de Ubá mostram solidariedade para reerguer o comércio
Tragédia atinge diferentes regiões de Minas Gerais; Juiz de Fora registra mais de 60 mortes e Ubá tenta se reconstruir após enchentes
05/03/2026 15h18
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nas últimas semanas provocaram destruição em diversas cidades, deixando mortos, milhares de desalojados e prejuízos em infraestrutura urbana.

A tragédia tem afetado especialmente municípios da Zona da Mata mineira, onde chuvas intensas provocaram deslizamentos de terra, enchentes e destruição de bairros inteiros.

Juiz de Fora vive uma das piores tragédias da história

A cidade de Juiz de Fora registrou mais de 60 mortes após os temporais do fim de fevereiro, em um desastre marcado por deslizamentos de encostas e grandes enchentes simultaneamente.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a tragédia não ocorreu sem sinais prévios.

Dados do órgão mostram que o número de deslizamentos vinha crescendo na cidade desde 2020, com pico em 2023, indicando aumento da instabilidade do solo e maior recorrência de eventos extremos.

Além disso, Juiz de Fora está entre as cidades brasileiras com maior ocupação urbana em áreas de encosta. Mesmo com cerca de 540 mil habitantes, o município ocupa o terceiro lugar no país em área construída em terrenos com inclinação acima de 30%, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Outro fator que agravou a tragédia foi o volume excepcional de chuva. Apenas em fevereiro, o município registrou mais de 750 milímetros de precipitação, cerca de três vezes acima da média histórica para o mês.

Especialistas também apontam que a combinação de solo saturado, ocupação em áreas de risco e falhas estruturais na prevenção contribuiu para transformar a chuva extrema em desastre humano.

Ubá tenta se reconstruir após enchentes

Já em Ubá, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes recentes, a situação agora é de reconstrução e solidariedade entre os moradores.

Imagens enviadas pela moradora Priscila, que acompanham a reportagem, mostram voluntários ajudando a limpar estabelecimentos comerciais atingidos pela lama, incluindo uma hamburgueria da família, onde amigos e moradores se reuniram para retirar entulho e permitir que o local volte a funcionar.

A cena tem se repetido em vários pontos da cidade, onde comerciantes e moradores tentam retomar a vida econômica e reconstruir os negócios destruídos pela água.

Ubá soma sete mortes e uma pessoa desaparecida após as enchentes. Com cerca de 103 mil habitantes, o município teve grande parte da infraestrutura urbana afetada.

De acordo com a prefeitura:

Ao todo, 42 frentes de trabalho atuam na limpeza da cidade, além de equipes de engenheiros, agentes de segurança e 77 militares do Exército.

O abastecimento de água já foi restabelecido em 94% do município, mas ainda há 27 pessoas desabrigadas em abrigos municipais e 4.480 desalojadas, que tiveram que deixar temporariamente suas casas.

Aulas seguem suspensas e ruas ainda estão interditadas

Em razão dos impactos das enchentes, a Prefeitura de Ubá decidiu manter as aulas suspensas até esta sexta-feira (6) em escolas municipais, estaduais, federais e também na rede particular.

Muitas ruas ainda apresentam dificuldades de acesso e mobilidade, o que dificulta o retorno à rotina da cidade.

No último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a região e afirmou que “o centro da cidade está destruído”, após percorrer áreas atingidas em Ubá e também em Juiz de Fora.

Enquanto o poder público trabalha na reconstrução da infraestrutura, moradores seguem protagonizando um movimento de solidariedade e apoio coletivo para tentar recuperar a cidade e retomar as atividades econômicas.