Emails encontrados pela Polícia Federal indicam uma corrida para tentar vender uma cobertura avaliada em R$ 60 milhões no mesmo dia da primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo envolvendo o Banco Master.
As mensagens foram encontradas na caixa de email do empresário e mostram a tentativa de concluir a negociação em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de ele ser detido.
Segundo os investigadores, a movimentação ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro participou de uma reunião com representantes do Banco Central do Brasil e anunciou a venda do Banco Master para a financeira Fictor — operação que, para a investigação, poderia ter sido usada como uma tentativa de criar uma cortina de fumaça antes de uma possível fuga do país.
O imóvel negociado fica no empreendimento Vizcaya Itaim, na avenida Horácio Lafer, em São Paulo.
A cobertura tríplex ainda estava em construção e possui arquitetura assinada por João Armentano, além de 12 vagas de garagem.
O complexo é administrado pela Lucio Engenharia em parceria com a Bolsa de Imóveis, responsáveis pela incorporação e gestão do empreendimento.
A negociação era conduzida por Regiane Bernardes, que afirmava representar Vorcaro na transação.
Em um dos emails enviados às empresas responsáveis pelo empreendimento, ela confirmou o valor da venda e ressaltou a urgência da operação.
“Informo que o valor da cessão é de R$ 60 milhões. Sabemos que o prazo é curto para concluir ainda hoje, mas seguimos confiantes de que será possível avançar.”
A transação também contou com a participação do ex-advogado-geral da União Bruno Bianco, que atuava como representante jurídico do possível comprador.
Em resposta às mensagens, Bianco pediu rapidez no envio dos documentos necessários para a negociação.
“Estamos bem avançados na negociação, mas impedidos de seguir pela ausência do termo de quitação.”
Segundo os emails analisados pela investigação, o imóvel pertence à empresa Viking, ligada a Vorcaro e conhecida por ser proprietária de aeronaves utilizadas pelo empresário.
Dois meses antes da prisão, Vorcaro havia vendido 55% do controle da Viking para um fundo administrado pela empresa Reag, movimento que, segundo investigadores, teria o objetivo de distanciá-lo formalmente de parte do próprio patrimônio.
Apesar disso, os emails mostram que ele continuava diretamente envolvido nas decisões da empresa, sendo copiado nas mensagens e confirmando que a representante tinha autorização para negociar o imóvel em seu nome.
No dia 17 de novembro, as mensagens mostram tentativas repetidas de acelerar o envio de documentos e concluir a venda ainda naquela data.
Às 16h35, Vorcaro confirmou por email que a representante tinha “autonomia para agir em seu nome”.
Segundo documentos citados na investigação, um minuto antes a Justiça Federal já havia expedido o mandado de prisão contra o empresário.
A negociação da cobertura acabou não sendo concluída.
Naquela noite, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo – Guarulhos, suspeito de tentar deixar o país em um avião particular.
No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, encerrando as operações da instituição.