O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em bombardeios durante a guerra com Estados Unidos e Israel, deixou uma orientação sobre sua sucessão antes de morrer.
Segundo o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, Khamenei pediu que o novo líder do país fosse “odiado pelo inimigo”, assim como ele próprio era.
A declaração foi feita após a Assembleia de Especialistas do Irã anunciar a escolha do novo líder supremo iraniano.
O escolhido para o cargo foi Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Segundo o aiatolá Alekasir, o critério indicado pelo antigo líder pesou na decisão.
“O principal líder do Irã deve ser odiado pelo inimigo, e não elogiado por ele”, afirmou.
Mojtaba assumiu oficialmente a liderança do país após a morte do pai, que governou o Irã por mais de 30 anos.
A escolha ocorre em meio à guerra com Estados Unidos e Israel, iniciada após ataques militares que atingiram Teerã no dia 28 de fevereiro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a escolha do novo líder iraniano. Segundo ele, Mojtaba “não vai durar muito” no poder e sua nomeação seria inaceitável para Washington.
Trump já havia afirmado anteriormente que não aceitava a sucessão do filho de Khamenei no comando do regime.
Apesar de ostentar o título religioso de aiatolá, Mojtaba é considerado um clérigo de nível intermediário, mas com grande influência política dentro do regime iraniano.
Ele tem ligações próximas com a Guarda Revolucionária do Irã, considerada o principal pilar de sustentação do governo.
Durante anos, Mojtaba foi apontado como um dos principais nomes para suceder o pai, especialmente por sua atuação nos bastidores do poder.
Analistas avaliam que a nomeação de Mojtaba representa continuidade do sistema político iraniano, especialmente em um momento de forte pressão internacional e escalada militar na região.
Críticos do regime também associam o novo líder à repressão de protestos no país, especialmente durante o Movimento Verde de 2009, quando manifestações contestaram a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad.