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Pão de Açúcar vai fechar? Entenda a dívida de R$ 4,5 bilhões
Grupo responsável pelas redes Pão de Açúcar e Extra apresenta plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões e reorganizar as finanças
10/03/2026 15h13
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Grupo Pão de Açúcar anunciou nesta terça-feira (10) um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas com credores. A medida busca reorganizar as finanças da companhia e evitar um processo mais complexo de recuperação judicial.

Segundo a empresa, as operações seguem normalmente, sem fechamento imediato de lojas ou interrupção de serviços.

A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa renegociar parte das dívidas diretamente com credores, fora da Justiça, com o objetivo de obter mais prazo ou novas condições de pagamento e reduzir o risco de insolvência.

Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todos os credores e não depende de uma tramitação judicial extensa, o que costuma tornar a renegociação mais rápida.

No caso do GPA, o plano tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias, período em que a companhia deve avançar nas negociações com credores.

Dívidas com fornecedores, parceiros comerciais, clientes e obrigações trabalhistas não entram no acordo.

Entre os principais fatores apontados estão:

No balanço financeiro mais recente, o grupo chegou a alertar investidores sobre dúvidas em relação à capacidade de manter as operações no longo prazo.

Tamanho da dívida

Segundo dados divulgados pela empresa:

Além disso, o GPA registrava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no fim do ano passado, principalmente por causa de empréstimos e títulos com vencimento previsto para 2026.

A renegociação atual envolve R$ 4,5 bilhões em dívidas.

O plano já conta com apoio de credores que representam 46% do valor total das dívidas incluídas no acordo, o equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões.

Esse percentual supera o mínimo exigido pela legislação para iniciar o processo de recuperação extrajudicial.

Durante a negociação, está prevista a suspensão temporária do pagamento dessas dívidas, enquanto novas condições são discutidas.

Mudanças na gestão

O GPA também passou por mudanças importantes na administração nos últimos meses. O Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista da companhia, com 24,6% das ações. Já o grupo francês Casino, antigo controlador, ainda possui 22,5% da empresa.

Em outubro, o empresário André Coelho Diniz assumiu a presidência do conselho de administração. Pouco depois, o então CEO Marcelo Pimentel deixou o cargo.

No início de 2026, Alexandre Santoro foi eleito novo diretor-presidente.

Apesar da crise financeira, o GPA segue entre os maiores grupos de varejo alimentar do país. A empresa possui 728 lojas no Brasil, distribuídas entre diferentes bandeiras:

O grupo também mantém marcas próprias vendidas nas lojas, como Qualitá, Taeq, Pra Valer e Club des Sommeliers.

Empresa diz que lojas seguem abertas

Em comunicado ao mercado, o GPA afirmou que o plano de renegociação foi estruturado para preservar o funcionamento do negócio enquanto as negociações avançam.

Segundo a companhia, a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida, reforçar o caixa e garantir sustentabilidade financeira no longo prazo, mantendo as operações e o atendimento aos clientes em todo o país.