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ACM Neto confirma R$ 3,6 mi de Master e Reag
Relatório do Coaf aponta repasses para empresa ligada ao ex-prefeito de Salvador; político afirma que valores são de consultoria
11/03/2026 17h00
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia, confirmou que uma empresa de sua propriedade recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos.

Os valores aparecem em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão vinculado ao Banco Central do Brasil.

Ao portal Metrópoles, ACM Neto afirmou que os pagamentos correspondem a serviços de consultoria prestados por sua empresa.

Repasses ocorreram após eleições de 2022

Segundo o relatório do Coaf, os pagamentos ocorreram após as eleições de 2022, entre dezembro daquele ano e maio de 2024.

A empresa ligada ao político tem como atividade principal consultoria em gestão empresarial e, como atividade secundária, atuação de apoio à educação.

O documento aponta ainda que, no período analisado, a companhia movimentou valores considerados elevados.

“Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, diz o relatório.

Detalhes das movimentações financeiras

Entre junho de 2023 e maio de 2024, a empresa recebeu:

Totalizando R$ 2,9 milhões nesse período.

Além disso:

Em resposta ao caso, ACM Neto afirmou que prestou os serviços após deixar cargos públicos e que os contratos foram realizados de forma regular. Segundo ele, os trabalhos envolviam análise do cenário político e econômico.

  • “Prestei serviços a alguns clientes, entre eles o Banco Master e a Reag, com contratos formais, recolhimento de impostos e trabalhos efetivamente executados”, afirmou.

O ex-prefeito também declarou que, na época dos contratos, não havia acusações ou investigações conhecidas contra as empresas.

Ele disse ainda estar “totalmente seguro” sobre a legalidade das operações.

Segundo ele, o relatório reúne dados protegidos por sigilo bancário e fiscal, aos quais afirma não ter tido acesso.

Reag é investigada

A Reag Investimentos entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades no sistema financeiro.

O ex-presidente da empresa, João Carlos Mansur, ficou em silêncio durante depoimento na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (11).

O direito ao silêncio foi autorizado pelo ministro Flávio Dino.

As investigações apontam que fundos ligados à gestora podem ter sido usados para movimentações financeiras suspeitas, possíveis fraudes e lavagem de dinheiro relacionadas ao caso do Banco Master.

A empresa foi fundada em 2012 e chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões em patrimônio.