O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que magistrados devem manter distanciamento das partes envolvidas e dos interesses em disputa em processos judiciais. A declaração foi feita durante um evento em Brasília, em meio às discussões sobre o caso envolvendo o Banco Master.
Sem citar diretamente o caso, Fachin afirmou que esse distanciamento é fundamental para garantir imparcialidade no Judiciário.
“No nosso país, o saudável distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social”, disse o ministro.
A informação foi revelada pelo jornalista Teo Cury, durante o programa CNN Novo Dia.
Nos bastidores, o presidente do STF teria conversado com outros ministros para tentar reduzir a pressão política e institucional sobre o tribunal.
A situação lembra um episódio ocorrido em janeiro, quando Fachin retornou antecipadamente de férias para lidar com uma crise interna envolvendo decisões do ministro Dias Toffoli.
O caso Master deve avançar no Supremo ainda nesta semana.
A Segunda Turma do STF está prevista para analisar na próxima sexta-feira a situação judicial de Daniel Vorcaro, investigado no escândalo envolvendo a instituição financeira.
Além do julgamento, o caso também tem repercussão no Congresso.
Parlamentares discutem a criação de:
uma CPI sobre o caso Master
a CPMI do INSS
e a CPI do Crime Organizado
Fachin também voltou a defender a criação de um Código de Ética para ministros do STF.
A elaboração do documento está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, mas o tema ainda avança lentamente dentro da Corte.
Segundo analistas, a discussão ganhou força justamente por causa das críticas envolvendo a relação entre magistrados e partes investigadas em processos recentes.