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Operação apura fraude em compra de tintas de combate à dengue
Investigação aponta irregularidades na compra de tintas inseticidas usadas no combate à dengue e prejuízo milionário aos cofres públicos
11/03/2026 17h59
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Uma operação da Polícia Civil de Goiás prendeu dois ex-servidores da Prefeitura de Goiânia suspeitos de participar de um esquema de fraude em licitação para a compra de tinta inseticida usada no combate à dengue.

As prisões ocorreram nesta terça-feira (10). Além das detenções, foram cumpridos 13 mandados judiciais, sendo 11 de busca e apreensão em Goiânia, no Distrito Federal e em Valparaíso de Goiás, no Entorno de Brasília.

A investigação é conduzida pelo delegado Ricardo Pina.

Segundo a polícia, o inquérito foi aberto em 2024 e tem como foco contratos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia.

De acordo com o delegado, a apuração identificou indícios de fraude:

Os investigados seriam servidores comissionados da gestão anterior da prefeitura. Proprietários da empresa fornecedora das tintas também estão sendo investigados.

“Departamento de Compras 2”

A investigação aponta que um grupo paralelo dentro da administração pública teria acelerado irregularmente os processos de compra.

Segundo a polícia, o núcleo foi chamado informalmente de “Departamento de Compras 2”.

“Era formado por servidores e ex-servidores comissionados que conferiam uma celeridade desproporcional ao procedimento licitatório, violando princípios administrativos como transparência e segregação de funções”, afirmou o delegado.

Cada lata possui quatro litros, totalizando 10 mil litros de tinta.

Segundo a polícia, a quantidade adquirida poderia cobrir cerca de 100 mil metros quadrados, mas a ordem de serviço previa uma aplicação cinco vezes maior do que a capacidade do produto, indicando inconsistência técnica no contrato.

Além disso, parte da tinta foi entregue próxima da data de vencimento, o que comprometeria sua eficácia.

Aplicação em imóveis sem utilidade

A investigação também aponta irregularidades no uso do material.

Segundo a polícia, parte da tinta foi aplicada em imóveis desativados, transitórios ou sem utilidade para a administração pública.

Entre os locais previstos no contrato estavam:

De acordo com a Controladoria-Geral do Município, os dados analisados indicam possível prejuízo aos cofres públicos.

A polícia solicitou à Justiça o sequestro de R$ 2,7 milhões, valor estimado do dano ao erário.

O contrato investigado tem valor total de R$ 4.437.500.

Segundo a auditoria, cada lata de tinta custou R$ 1.775, valor considerado elevado diante das irregularidades identificadas.

A polícia apura possíveis crimes de:

A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia (Semasdh) informou, em nota, que está à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações e reforçou o compromisso com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.

Já o ex-prefeito Rogério Cruz declarou que não é parte no processo judicial e afirmou não ter participado de decisões relacionadas aos contratos investigados.

Até a última atualização da reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado.