O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e líderes da União Europeia criticaram a decisão do governo dos Estados Unidos de flexibilizar temporariamente as sanções contra o petróleo da Rússia.
A medida foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump e autoriza a venda de petróleo russo que estava armazenado em navios no mar.
Segundo Washington, a decisão busca aumentar a oferta global de energia e conter a alta dos preços do petróleo, agravada após a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Durante visita a Paris, onde se reuniu com o presidente Emmanuel Macron, Zelensky criticou duramente a decisão. Segundo ele, a flexibilização pode gerar bilhões de dólares em receitas para Moscou.
“Essa única flexibilização pode fornecer à Rússia cerca de US$ 10 bilhões para a guerra. Certamente não ajuda a alcançar a paz”, afirmou.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também criticou a decisão americana.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a medida foi tomada sem consulta aos aliados europeus.
“A decisão unilateral dos EUA de suspender as sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, pois afeta a segurança europeia”, escreveu.
Costa destacou que a pressão econômica sobre o governo de Vladimir Putin é considerada essencial para forçar negociações de paz.
A autorização foi emitida pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A licença permite a venda, até 11 de abril, de cargas de petróleo russo que já estavam embarcadas em navios antes de 12 de março.
Segundo o enviado econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, a medida libera cerca de 100 milhões de barris de petróleo para o mercado internacional.
Esse volume corresponde aproximadamente a um dia da demanda mundial por petróleo.
A decisão ocorre em um momento de forte tensão no mercado global de energia.
O petróleo do tipo Brent ultrapassou US$ 100 por barril, atingindo o maior nível em quase quatro anos.
A escalada está ligada ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o risco de interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz.
Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa pela região, considerada estratégica para o abastecimento global.
A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do planeta e responde por cerca de 10% da oferta global, com produção entre 9 e 10 milhões de barris por dia.
As exportações de petróleo são uma das principais fontes de receita do governo russo.
Desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, países ocidentais impuseram uma série de sanções ao setor energético russo.
Mesmo com as restrições, Moscou conseguiu redirecionar parte significativa de suas exportações para mercados asiáticos, principalmente Índia e China.
Analistas avaliam que a flexibilização americana pode trazer alívio temporário aos preços da energia, mas dificilmente resolverá as tensões estruturais do mercado global de petróleo.