
A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase de escalada nesta quarta-feira (18), com Israel ampliando simultaneamente suas ações contra o Irã e também no Líbano. Em um movimento que mostra mudança de estratégia, o país passou a combinar ataques diretos contra lideranças iranianas com bombardeios intensos em áreas ligadas ao Hezbollah.
O governo iraniano confirmou a morte de Esmail Khatib, ministro da Inteligência, após um ataque israelense em Teerã, nesta madrugada de quarta-feira (18). A ofensiva aconteceu um dia depois da morte de outras figuras centrais do regime, como Ali Larijani e o chefe da milícia Basij, Gholamreza Soleimani.
Segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, o país agora deu “carta-branca” às Forças Armadas para eliminar autoridades iranianas sem necessidade de autorização prévia do comando político. A medida marca uma mudança operacional relevante e reforça o que analistas chamam de estratégia de “decapitação” do regime.
A ofensiva começou no fim de fevereiro, quando ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel mataram o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e dezenas de autoridades. Desde então, cerca de 20 integrantes de alto escalão do regime foram mortos em menos de três semanas.
Ao mesmo tempo, Israel intensificou os bombardeios no Líbano, ampliando o conflito para além do território iraniano. Nesta quarta-feira, um míssil israelense atingiu a base de um prédio de 16 andares no centro de Beirute, provocando o colapso imediato da estrutura.
O edifício ficava no bairro de Bachoura, uma região movimentada da capital libanesa. Segundo agências internacionais, ao menos 12 pessoas morreram no ataque. O Exército de Israel afirmou que o local era utilizado por integrantes do Hezbollah, grupo armado financiado pelo Irã.
A ligação entre os dois episódios é direta: enquanto Israel tenta enfraquecer o comando político e militar iraniano, também atua para reduzir a capacidade de resposta de seus aliados na região, especialmente o Hezbollah, considerado um dos principais braços do Irã fora do país.
Os ataques no Líbano já provocaram uma crise humanitária. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas — cerca de 20% da população do país — e ao menos 900 mortes foram registradas desde o início da ofensiva, segundo autoridades locais.
No Irã, o impacto também é significativo. De acordo com a organização de direitos humanos HRANA, mais de 3 mil pessoas morreram desde o início dos bombardeios. Em Israel, ataques iranianos deixaram 14 mortos.
Apesar das perdas, o governo iraniano tenta demonstrar estabilidade. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que o sistema político do país é “robusto” e não será afetado pela morte de lideranças.
Analistas, no entanto, avaliam que a estratégia israelense tem dois objetivos principais: pressionar o regime iraniano ao limite e, ao mesmo tempo, dificultar qualquer tentativa de negociação internacional.
O cenário também expõe divergências entre Estados Unidos e Israel. Enquanto o presidente Donald Trump busca uma solução mais rápida para o conflito, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu mantém uma postura mais dura, focada na destruição das estruturas políticas e militares do Irã e de seus aliados.
Com isso, a guerra avança em múltiplas frentes e aumenta o risco de um conflito ainda mais amplo na região.