O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (18) que pode deixar os países aliados lidarem sozinhos com o bloqueio no Estreito de Ormuz, após resistência internacional em apoiar ações lideradas por Washington na região.
A declaração foi feita em uma rede social, após aliados europeus e asiáticos recusarem pedidos dos EUA para enviar navios de guerra e equipamentos com o objetivo de garantir a passagem de petroleiros na área.
Segundo Trump, os Estados Unidos não dependem diretamente da rota e, por isso, poderiam se retirar da condução da crise. “Vamos deixar que os países que utilizam o estreito encontrem uma solução”, escreveu.
O bloqueio ocorre em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Teerã passou a restringir a navegação após ataques que atingiram estruturas militares e lideranças do país. Apesar de afirmar que o estreito não está totalmente fechado, o Irã impôs condições especiais para a travessia.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas do mundo. Cerca de 20% de todo o petróleo transportado globalmente passa pela região, além de uma parcela significativa do comércio de gás natural. A interrupção do fluxo já provocou alta nos preços internacionais do petróleo e aumentou a tensão nos mercados.
Diante da crise, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciou discussões com países aliados sobre alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz e garantir a segurança da navegação.
O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que há um esforço conjunto para restabelecer o funcionamento da rota, considerada estratégica para o abastecimento global de energia. Entre as possibilidades avaliadas estão operações de escolta naval e ações coordenadas para proteção de embarcações.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) diante da crise. Durante audiência no Senado, o chanceler afirmou que há uma “paralisia” do Conselho de Segurança frente à escalada do conflito.
Segundo Vieira, apesar de reuniões de emergência, não há até o momento medidas concretas capazes de avançar na resolução da guerra, que já ultrapassa duas semanas sem perspectiva de negociação de paz.
Analistas avaliam que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode gerar impactos significativos na economia global, incluindo aumento de custos de energia, pressão inflacionária e instabilidade nos mercados internacionais.