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CPI cobra apuração sobre empresa de Lulinha no exterior
Senador Carlos Viana diz que abertura de empresa na Espanha levanta novas dúvidas; defesa nega irregularidades e afirma que firma não tem atividade
18/03/2026 15h52 Atualizada há 5 meses
Por: Lavínia Dornellas Fonte: Folha de S. Paulo
Foto: Reprodução

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, afirmou nesta quarta-feira (18) que a abertura de uma empresa na Espanha por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve ser investigada no contexto das apurações sobre fraudes em benefícios previdenciários.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, a empresa chamada Synapta foi registrada em Madri no dia 13 de janeiro de 2026, após o início da comissão parlamentar, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS desde agosto de 2025.

Para Viana, a criação da empresa é mais um elemento que precisa ser esclarecido. O senador também afirmou que não há provas diretas contra Lulinha até o momento, mas criticou a atuação da base governista no Congresso, que, segundo ele, teria dificultado o avanço das investigações.

A Polícia Federal mencionou, em relatório citado pela imprensa, que a saída do empresário do Brasil poderia configurar uma possível evasão do país, ponto que também deve ser analisado no inquérito.

Defesa nega irregularidades e relação com investigação

A defesa de Lulinha afirma que a empresa na Espanha foi aberta dentro da legalidade e que ainda não possui פעילות econômica, sendo considerada uma “empresa de gaveta” criada para projetos futuros.

Os advogados também reconhecem que o empresário viajou a Portugal com despesas pagas pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mas afirmam que a viagem teve caráter legítimo, ligada a um projeto envolvendo canabidiol.

As investigações da CPI e da Polícia Federal apuram suspeitas de que o lobista teria atuado no pagamento de propinas para manter um esquema de fraudes no INSS, com possíveis conexões com empresários e operadores financeiros.

O sigilo bancário e fiscal de Lulinha chegou a ser quebrado por decisão da CPI e da Polícia Federal, mas a medida foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e ainda será analisada pelo plenário da Corte.

Apesar das suspeitas levantadas, Carlos Viana afirmou que não é possível, neste momento, afirmar a responsabilidade do empresário, mas defendeu a continuidade das investigações para esclarecer os fatos.