O governo federal publicou nesta sexta-feira (20) a tabela de preços do diesel que servirá de base para o pagamento de subsídios ao setor. A medida faz parte de um pacote para conter os impactos da alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.
Pelas regras, só terão direito ao subsídio de R$ 0,32 por litro as empresas que venderem o combustível abaixo dos valores definidos na tabela. Os preços funcionam, portanto, como um teto para a concessão do benefício.
Os valores variam conforme a origem do combustível e a região do país. Para o diesel importado ou refinado com petróleo importado, os preços vão de R$ 5,29 por litro no Sudeste a R$ 5,51 no Nordeste. Já o diesel produzido com petróleo nacional tem teto entre R$ 3,50 e R$ 3,86, dependendo da região.
A política foi adotada em um momento de forte instabilidade global. O petróleo segue acima de US$ 100 o barril, com o Estreito de Ormuz ainda parcialmente bloqueado e ataques a estruturas energéticas no Oriente Médio.
Analistas do banco Goldman Sachs avaliam que os preços elevados podem se manter até 2027, caso as interrupções no fornecimento persistam. Em cenários mais críticos, o barril pode até se aproximar de máximas históricas.
No Brasil, o diesel vendido nas bombas já custa, em média, R$ 6,80 por litro. O valor final ao consumidor inclui impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição.
No caso da Petrobras, os preços estipulados para o diesel nacional estão próximos aos praticados pela estatal, o que pode limitar reajustes. Por outro lado, há espaço para operar com diesel importado a valores mais altos e ainda se enquadrar no programa.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, o que aumenta a exposição do país às oscilações do mercado internacional.
A iniciativa ocorre em meio à disparada dos preços internacionais do petróleo, que seguem acima de US$ 100 por barril. O cenário é impulsionado pelos ataques a infraestruturas energéticas no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo.
Com cerca de 30% do diesel consumido no Brasil vindo de importações, a alta internacional pressiona diretamente o mercado interno. A nova política busca limitar esse impacto e evitar novos reajustes que afetem o transporte e o custo de vida.
A medida também acontece após uma reunião recente de lideranças dos caminhoneiros, que decidiram não iniciar uma greve nacional neste momento, mesmo diante da alta do diesel, que já supera 20% nas últimas semanas. A categoria, no entanto, marcou uma nova assembleia para o dia 26, quando deve reavaliar o cenário.
Segundo o governo, a decisão dos caminhoneiros foi resultado de negociações com representantes da categoria. A avaliação é que uma paralisação agora poderia agravar ainda mais os impactos econômicos da crise.
A continuidade da guerra e o bloqueio de rotas estratégicas mantêm o mercado de energia em alerta. Países produtores tentam ampliar a oferta, enquanto governos buscam alternativas para conter os impactos nos preços internos.
No Brasil, o sucesso da medida dependerá da adesão das empresas e da evolução do cenário internacional. Caso a pressão sobre o petróleo continue, novas ações podem ser necessárias para evitar impactos maiores na inflação e no custo de vida.