
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em uma cela comum da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde a noite de quinta-feira (19). Diferente de outros casos recentes, como o do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele não ocupa uma sala especial com ar-condicionado.
A cela onde Vorcaro está detido possui cama, banheiro e grades. Ele permanece sozinho no local, já que não há outros presos na carceragem da unidade — utilizada apenas em situações excepcionais.
A transferência do banqueiro da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da Polícia Federal foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, a pedido da defesa.
A mudança no local de custódia faz parte das negociações para um possível acordo de delação premiada. Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República, considerado o primeiro passo para a colaboração.

Entre os pontos discutidos nas tratativas estava justamente a transferência para a Superintendência da PF. O banqueiro recebeu, nesta sexta-feira (20), a visita de um de seus advogados, Sérgio Leonardo, que integra a equipe de defesa ao lado de José Luis Oliveira Lima.
Vorcaro foi preso no início do mês durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a existência de uma estrutura paralela de monitoramento, descrita por investigadores como uma espécie de “milícia privada”.
Nos bastidores de Brasília, a possível delação já é vista como uma das mais sensíveis dos últimos anos, com potencial de atingir integrantes dos Três Poderes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma eventual colaboração pode ser o “ovo da serpente” para adversários políticos. Já aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro apontam que a delação também pode atingir integrantes do governo.
A expectativa é que o conteúdo de um eventual acordo possa influenciar diretamente o cenário eleitoral, dependendo dos nomes citados e das provas apresentadas.
As negociações ainda estão em andamento e não há confirmação de que a delação será formalizada. O desfecho dependerá das informações que Vorcaro estiver disposto a fornecer e da consistência das provas apresentadas às autoridades.