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Porto saudita vira alternativa com crise no Estreito de Ormuz
Com tensões no Golfo Pérsico e risco de bloqueio da rota marítima, Arábia Saudita amplia uso de portos no Mar Vermelho para manter fluxo de petróleo e mercadorias
24/03/2026 15h14 Atualizada há 7 meses
Por: Lavínia Dornellas
Porto de Jeddah/ Foto: Reprodução

O aumento das tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, está levando países do Golfo a buscar rotas alternativas para o comércio marítimo. Nesse cenário, portos da costa oeste da Arábia Saudita, no Mar Vermelho, têm ganhado importância estratégica para manter o fluxo de mercadorias e energia na região.

O porto de Jeddah, principal terminal marítimo do país, já se prepara para um aumento significativo nas operações nas próximas semanas. Autoridades portuárias estimam que o número de navios que chegam ao terminal pode crescer até 50% em duas semanas, à medida que embarcações desviam das áreas mais afetadas pelo conflito.

A mudança ocorre após a escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que tem afetado o tráfego marítimo no Golfo Pérsico e aumentado o risco de interrupções no Estreito de Ormuz.

Rotas alternativas para petróleo

Além do porto de Jeddah, a Arábia Saudita também tem utilizado o porto de Yanbu, outro importante terminal no Mar Vermelho. Um gasoduto de cerca de 1,1 mil quilômetros foi readaptado para transportar petróleo saudita até o local, permitindo que a carga seja exportada sem precisar passar pelo Golfo Pérsico.

Segundo autoridades sauditas, o movimento de navios no Mar Vermelho já registrou um aumento de cerca de um terço desde o início do conflito, refletindo o desvio de rotas marítimas.

Dados da plataforma de monitoramento marítimo MarineTraffic indicam que mais de 60 navios que estavam a caminho de portos do Golfo precisaram alterar suas rotas desde o início da guerra.

Alguns retornaram para portos na China e na Índia, enquanto outros foram direcionados para terminais alternativos na Península Arábica, como Sohar e Salalah, em Omã, Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, e Jeddah, na Arábia Saudita.

Impacto nas cadeias de suprimento

A reorganização das rotas marítimas também preocupa autoridades e empresas de logística por causa da dependência da região de produtos importados.

Países do Golfo importam cerca de 85% dos alimentos consumidos, além de medicamentos e outros itens essenciais. Com os portos do Golfo Pérsico sob risco, garantir novas rotas de abastecimento tornou-se prioridade.

Empresas de transporte marítimo afirmam que estão trabalhando com governos locais para definir prioridades logísticas. Segundo executivos do setor, alimentos e medicamentos estão no topo da lista de cargas consideradas essenciais.

Risco de escalada do conflito

Apesar da busca por rotas alternativas, especialistas alertam que a segurança das novas vias também não está totalmente garantida.

Nos últimos dias, drones iranianos atingiram instalações energéticas próximas a portos sauditas, incluindo áreas ligadas ao terminal de Yanbu. O ataque ocorreu após Israel bombardear instalações associadas ao campo de gás South Pars, no Irã.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de novos ataques no Estreito de Bab al-Mandab, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, já atacaram navios comerciais na região em ocasiões anteriores.

Empresas de navegação seguem monitorando a situação e avaliam rotas alternativas caso o conflito se amplie para outras áreas do Oriente Médio.

Petróleo reage às tensões

A instabilidade geopolítica também tem impacto direto no mercado de energia. Nesta terça-feira (24), o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 100 por barril, com alta de cerca de 4,27%.

Já o petróleo WTI, referência no mercado americano, subia quase 5%, chegando a cerca de US$ 92 por barril.

O mercado segue atento às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou recentemente que Washington teria iniciado conversas para encerrar o conflito com o Irã. O governo iraniano, no entanto, nega que negociações estejam em andamento.