
O governo de Israel anunciou nesta terça-feira (24) que pretende ocupar novamente o sul do Líbano, ampliando a presença militar na região em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
A declaração foi feita pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) irão controlar uma zona de segurança até o rio Litani, área considerada estratégica para conter ataques do grupo libanês Hezbollah.
Segundo Katz, as pontes utilizadas pelo Hezbollah para movimentação na região foram destruídas e a presença militar israelense continuará até que a segurança do norte de Israel esteja garantida.
A decisão retoma um cenário semelhante ao que ocorreu entre 1982 e 2000, período em que Israel manteve tropas no sul do Líbano durante 18 anos.
O anúncio gerou forte reação no Líbano. O grupo Hezbollah, aliado do Irã e principal força armada no sul do país, afirmou que irá combater qualquer ocupação israelense.
O deputado Hassan Fadlallah, ligado ao movimento, declarou que a medida representa um “risco existencial para o Líbano”.
A região do sul libanês tem cerca de 850 km² e deveria estar sob controle do governo do Líbano após o cessar-fogo de 2024, estabelecido com base na Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que encerrou a guerra de 2006 entre Israel e Hezbollah.
Na prática, porém, o acordo nunca foi totalmente implementado. Israel manteve pontos militares na área, enquanto o Hezbollah continuou operando na região.
A tensão aumentou ainda mais após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no final de fevereiro.
Desde então, o Hezbollah voltou a lançar foguetes e drones contra território israelense, enquanto Israel intensificou bombardeios contra posições do grupo no Líbano.
Segundo estimativas citadas no conflito, os ataques israelenses já deixaram mais de mil mortos no Líbano e provocaram o deslocamento de mais de 800 mil pessoas dentro do país.
O presidente libanês, Joseph Aoun, criticou a decisão de Israel e afirmou que a atual escalada poderia ter sido evitada caso Tel Aviv tivesse cumprido o acordo de retirada firmado após o cessar-fogo.
A zona ao sul do rio Litani sempre foi considerada um ponto estratégico para Israel, por estar a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o país.
Analistas avaliam que a nova ocupação pode enfraquecer ainda mais o Hezbollah, que já teve parte de sua liderança eliminada em operações militares recentes.
Por outro lado, há receio de que a medida aprofunde a instabilidade política no Líbano, país que ainda convive com divisões internas profundas desde a guerra civil entre 1975 e 1990.
Enquanto isso, os confrontos continuam. Na capital Beirute, ataques registrados nesta terça-feira deixaram pelo menos duas pessoas mortas, segundo autoridades locais.