A guerra no Irã já começa a impactar o preço de alimentos no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o conflito no Oriente Médio elevou os custos de transporte e de insumos usados na produção de ovos, frango e carne suína, o que pode levar a reajustes nos preços ao consumidor nos próximos dias.
De acordo com a entidade, a alta do diesel provocou aumento de até 20% nos fretes rodoviários utilizados pelo setor. O transporte é uma etapa fundamental da cadeia produtiva, já que envolve desde o deslocamento de insumos para as granjas até a distribuição dos produtos para supermercados e centros de abastecimento.
Outro fator de pressão é o encarecimento das embalagens plásticas, derivadas do petróleo. Com o agravamento das tensões no Oriente Médio e os riscos à navegação no estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, o preço dessas embalagens já registrou aumento de até 30%, segundo a associação.
Diante desse cenário, a ABPA afirma que o setor pode ser obrigado a repassar parte dos custos ao consumidor.
“Frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína”, informou a entidade.
Apesar da pressão atual, alguns desses alimentos vinham apresentando queda nos últimos meses. Segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o preço dos ovos acumulou queda de 10,79% em 12 meses.
Mesmo assim, houve aumento recente. Em fevereiro, por exemplo, o produto registrou inflação de 4,55%, impulsionada principalmente pela alta demanda durante a Quaresma, período em que muitos consumidores substituem a carne vermelha por outras proteínas.
Pesquisa do Procon-SP em parceria com o Dieese também apontou aumento no preço dos ovos na cesta básica paulistana. A dúzia passou de R$ 9,56 para R$ 10,44, uma alta de 9,21%.
Já a carne suína e o frango apresentaram comportamento mais estável. A carne de porco caiu 1,21% no último mês e 1,62% em 12 meses, enquanto o frango inteiro teve queda de 0,29% em fevereiro, segundo os dados mais recentes.
No caso dos ovos, o consumo chegou a 287 unidades por pessoa em 2025, um crescimento de 6,7% em relação a 2024 e de 33,4% desde 2015, de acordo com estimativas da ABPA.
Especialistas apontam que o alimento ganhou popularidade entre praticantes de atividade física e pessoas que buscam dietas ricas em proteína.
Segundo Elsio Figueiredo, pesquisador da Embrapa, a demanda também cresce durante a Quaresma.
“Além do consumo direto de ovos para substituir a carne, também se fazem mais produtos à base de ovos, como massas, bolos e sobremesas”, explica.
Ao mesmo tempo, avanços na produção industrial ajudaram a manter a oferta equilibrada. Em 2025, a produção nacional chegou a 62,2 bilhões de ovos, um crescimento de 7,9% em relação a 2024.
A preocupação do setor reforça que as consequências da guerra no Oriente Médio vão além do preço do petróleo.
A instabilidade na região pode afetar cadeias globais de produção e transporte, influenciando diretamente o custo de produtos como alimentos, fertilizantes, plásticos, medicamentos e eletrônicos.
No caso das proteínas animais, o impacto ocorre principalmente pelo aumento do diesel e de insumos derivados do petróleo, o que eleva os custos logísticos e industriais da cadeia produtiva.