
O Reino Unido e a França vão liderar, nos próximos dias, uma série de reuniões com chefes militares de cerca de 30 países para discutir a criação de uma coalizão internacional com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início da guerra contra Estados Unidos e Israel.
Segundo fontes dos ministérios da Defesa britânico e francês, os encontros devem ocorrer em formato virtual e com caráter técnico, reunindo chefes de Estado-Maior das Forças Armadas de países que já manifestaram apoio à iniciativa.
A articulação surge após um comunicado conjunto, liderado por países europeus e o Japão, que defende uma moratória de ataques a infraestruturas de petróleo e gás e sinaliza disposição para atuar na segurança da região.
Os chefes militares britânico, Richard Knighton, e francês, Fabien Mandon, devem coordenar os primeiros passos para estruturar essa coalizão.
A expectativa é que o grupo tenha caráter defensivo, buscando proteger rotas marítimas e evitar novos ataques, sem uma atuação direta alinhada à estratégia militar dos Estados Unidos.
A reabertura do estreito, no entanto, é considerada complexa e de alto risco.
O Irã mantém presença militar na região e há suspeitas de que o país tenha instalado minas marítimas, o que exigiria uma operação especializada de desminagem.
Além disso, países europeus como França, Itália e Alemanha já alertaram que qualquer ação militar no atual cenário pode ampliar o conflito.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais estratégicas do mundo, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito global.
Desde o fechamento, o mercado internacional vem reagindo com forte volatilidade, com o barril do petróleo chegando próximo dos US$ 120 nas últimas semanas.
Apesar da tensão, o Irã afirmou recentemente que pode garantir a passagem de “navios não hostis”, mas o risco elevado tem levado empresas e seguradoras a evitarem a região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado aliados a participarem da operação de segurança no estreito.
No entanto, o Reino Unido já sinalizou que não pretende atuar sob o comando da OTAN, reforçando a tentativa de construir uma coalizão independente e com atuação limitada.
Antes dessa articulação, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, já havia mencionado que um grupo de mais de 20 países discutia formas de reabrir a rota — sem detalhar como isso seria feito.
A reunião entre os chefes militares deve definir os primeiros mecanismos de atuação conjunta, incluindo estratégias de segurança marítima e possíveis operações para liberar a passagem.
Em paralelo, o Reino Unido avalia sediar uma conferência internacional presencial para formalizar a coalizão.
O avanço dessas negociações ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que já entra na quarta semana sem perspectiva de solução imediata.