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Problemas no asfalto marcam MotoGP em Goiânia e corrida é reduzida
Buracos, desgaste da pista e pedras soltas levaram à redução de voltas no GP do Brasil; FIM promete correções para próxima edição
25/03/2026 17h37
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A segunda etapa da temporada 2026 da MotoGP, realizada entre os dias 20 e 22 de março no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, foi marcada por problemas no asfalto da pista que obrigaram a organização a reduzir a duração da corrida principal e geraram críticas de pilotos.

A prova da categoria principal deveria ter 31 voltas, mas foi reduzida para 23 voltas, cerca de 75% da distância original, após a direção de prova identificar desgaste no asfalto e risco à segurança dos pilotos.

Segundo a Federação Internacional de Motociclismo (FIM), dois problemas principais foram registrados durante o evento.

Buraco na reta principal

O primeiro incidente foi a formação de um buraco na reta principal do autódromo, causada, segundo a FIM, pelo colapso de um antigo sistema de esgoto subterrâneo que não estava documentado.

A irregularidade apareceu fora da linha ideal de corrida e foi reparada rapidamente durante o evento. Mesmo assim, o episódio gerou atrasos na programação do fim de semana.

O problema mais grave foi a degradação do asfalto em alguns trechos da pista, especialmente entre as curvas 10 e 12. Com o calor intenso e o grande número de motos circulando, o pavimento começou a se deteriorar após a corrida da Moto2, no domingo.

O espanhol Álex Márquez afirmou que as condições foram “inaceitáveis”.

“Entre as curvas 10 e 11 o asfalto estava se desfazendo, com pedras e tudo. As condições foram inaceitáveis”, declarou.

Outros pilotos também relataram ter sido atingidos por fragmentos da pista.

O brasileiro Diogo Moreira, estreante na categoria principal, confirmou que também foi atingido por pedaços de asfalto durante a corrida.

Redução de voltas foi decisão de segurança

Diante do avanço do desgaste do asfalto, a Direção de Provas da MotoGP decidiu reduzir a corrida.

A decisão foi considerada correta por parte dos pilotos.

O campeão mundial de 2020, Joan Mir, afirmou que correr a distância original poderia aumentar o risco de acidentes.

“A situação estava piorando. Reduzir as voltas foi a decisão correta”, disse.

Apesar dos problemas, a corrida foi concluída sem quedas graves relacionadas à pista.

O vencedor da prova foi o italiano Marco Bezzecchi, da equipe Aprilia.

A categoria já confirmou nova etapa em Goiânia em 2027, e os ingressos começaram a ser vendidos logo após o GP deste ano.

Investimento da prefeitura

Durante o evento, a Prefeitura de Goiânia investiu cerca de R$ 195 mil na compra de ingressos para um camarote institucional no autódromo.

Segundo a Agência Municipal de Turismo e Eventos, os convites foram utilizados para receber empresários e potenciais investidores.

A estratégia, segundo o município, foi promover a cidade como destino para grandes eventos e oportunidades de negócios.

De acordo com estimativas do Instituto Mauro Borges, o MotoGP pode ter movimentado cerca de R$ 860 milhões na economia local, com público estimado em 200 mil visitantes ao longo do fim de semana.

Governo avalia intervenção na pista

Após os problemas registrados, o Governo de Goiás e a organização do evento já iniciaram discussões sobre intervenções na pista do Autódromo Internacional Ayrton Senna.

Na segunda-feira (23), representantes do governo estadual e da organização da MotoGP realizaram uma reunião para avaliar as condições da pista e definir os próximos passos para evitar novos problemas nas próximas edições.