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Israel diz ter matado chefe que fechou o Estreito de Ormuz
Segundo o governo israelense, Alireza Tangsiri, chefe naval da Guarda Revolucionária do Irã, foi morto em ataque de precisão; conflito segue com impasse diplomático e pressão sobre o estreito por onde passa parte do petróleo mundial
26/03/2026 16h21
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução/ Metrópoles

Israel afirmou nesta quinta-feira (26) que matou Alireza Tangsiri, chefe do braço naval da Guarda Revolucionária do Irã, em um ataque realizado na noite de quarta-feira (25). Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, o comandante foi atingido em um ataque de precisão, provavelmente na cidade de Bandar Abbas, onde fica a principal base naval iraniana na região do estreito de Hormuz.

Até o momento, o governo iraniano não confirmou oficialmente a morte. Ainda assim, autoridades israelenses afirmam que o ataque também teria atingido outros comandantes ligados às operações navais da Guarda Revolucionária.

Tangsiri era apontado como um dos principais responsáveis pela estratégia militar iraniana no estreito de Hormuz, ponto considerado vital para o comércio global de energia. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pela região.

Hormuz virou centro da guerra

Desde o início do conflito, o Irã passou a restringir a passagem de embarcações associadas a países considerados inimigos e ameaçou atacar ou minar o estreito, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

Segundo relatos militares, a região pode ter sido equipada com minas navais, drones subaquáticos, mísseis e aeronaves não tripuladas. Aproximadamente 30 petroleiros e embarcações civis já foram atingidos desde o início da guerra.

Do outro lado, Estados Unidos e Israel intensificaram ataques contra posições iranianas. O comando militar americano na região afirma que mais de 140 embarcações iranianas foram destruídas e que cerca de dois terços da capacidade de produção de mísseis do Irã já teriam sido neutralizados.

Com o tráfego marítimo praticamente interrompido — estimativas indicam mais de 90% de redução no movimento em Hormuz — os preços do petróleo e do gás dispararam no mercado internacional.

Negociações e pressão diplomática

Enquanto os combates continuam, há movimentações diplomáticas para tentar encerrar o conflito. O Paquistão atua como intermediador entre os dois lados, e a China afirmou nesta quinta-feira que existe “um vislumbre de esperança” para um acordo de paz.

Relatos indicam que os Estados Unidos pediram a Israel que poupasse algumas autoridades iranianas envolvidas nas negociações, entre elas o chanceler Abbas Araghchi, responsável por conduzir o diálogo nuclear com Washington.

Outro nome citado é Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, considerado por analistas como possível figura central em eventuais negociações futuras após a morte do líder supremo Ali Khamenei e do influente político Ali Larijani, ambos mortos em ataques israelenses.

O atual líder indicado do regime, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, não foi visto publicamente desde o início da guerra, e há dúvidas sobre sua situação.

Trump mantém pressão sobre o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que ainda não há garantia de um acordo de paz com o Irã. Durante reunião de gabinete, ele disse que líderes iranianos estariam pressionando por negociações, mas adotou tom cauteloso.

“Eles estão implorando para chegar a um acordo”, afirmou Trump. “Mas não sei se seremos capazes de fazer isso ou se estamos dispostos a fazer isso.”

Segundo o republicano, as operações militares continuarão enquanto não houver avanços nas negociações.

Antes disso, Washington apresentou uma proposta com 15 pontos para encerrar o conflito, incluindo o fim do programa nuclear iraniano e mudanças nas sanções. Teerã rejeitou os termos e apresentou contrapropostas, como o fim imediato dos ataques e reconhecimento de seu controle sobre o estreito de Hormuz.

Conflito segue sem solução

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, continua provocando ataques em diferentes pontos do Oriente Médio.

Nesta quinta-feira, duas pessoas morreram em Abu Dhabi após serem atingidas por destroços de um míssil interceptado.

Enquanto isso, Trump mantém pressão para que o estreito de Hormuz seja reaberto e chegou a estabelecer um prazo até sábado (28) para que negociações avancem. Caso contrário, os EUA ameaçam ampliar ataques contra infraestruturas energéticas iranianas.

Mesmo com tentativas diplomáticas em andamento, os combates continuam e o conflito segue sem perspectiva clara de encerramento.