Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações consideradas suspeitas que somam R$ 11 milhões realizadas pela empresa J&F ao empresário Leonardo Valverde, conhecido como Leo Valverde. O documento foi encaminhado à CPMI do INSS, que investiga possíveis irregularidades financeiras.
De acordo com o relatório, as transferências ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025 e foram feitas para duas empresas ligadas ao empresário: a All Channel Publicidades Ltda. e a Alltec Ltda., das quais Valverde é apontado como beneficiário final.
O Coaf identificou três principais operações financeiras:
A All Channel, sediada em Brasília, atua no agenciamento de espaços publicitários, enquanto a Alltec, registrada em São Paulo, presta serviços de consultoria em tecnologia da informação.
As movimentações foram classificadas como atípicas e passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela comissão parlamentar.
Leonardo Valverde é um nome conhecido nos bastidores da política em Brasília e já esteve envolvido em episódios recentes que chamaram atenção pública.
Em 2024, ele vendeu uma mansão no Lago Sul, em Brasília, ao deputado federal Arthur Lira, pelo valor de R$ 10 milhões. Segundo informações declaradas, parte do pagamento foi financiada pelo Banco de Brasília (BRB).
Além disso, Valverde aparece em registros de eventos ao lado de figuras políticas e empresariais relevantes e chegou a ser cogitado como possível suplente do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em uma eventual candidatura ao Senado.
As informações do Coaf não configuram, por si só, crime, mas indicam movimentações financeiras fora do padrão esperado, o que pode justificar aprofundamento das investigações.
A CPMI do INSS deve analisar o conteúdo do relatório para verificar se há relação entre os repasses e possíveis irregularidades investigadas pela comissão.
Até o momento, não há conclusão sobre a natureza das transações, e os envolvidos ainda podem apresentar esclarecimentos ao longo do processo.