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Irã impede navios e restringe passagem no estreito de Ormuz
Teerã afirma que rota está fechada para embarcações ligadas a EUA e Israel e aumenta tensão no Golfo
27/03/2026 17h18
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Irã intensificou a crise no Golfo ao anunciar que impediu a passagem de três navios pelo estreito de Hormuz e restringiu o trânsito marítimo para embarcações que se dirigem a portos ligados aos Estados Unidos e a Israel. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (27) pela Guarda Revolucionária iraniana.

Segundo comunicado publicado pelo site oficial Sepah News, navios porta-contêineres de diferentes nacionalidades foram obrigados a recuar após alerta da Marinha iraniana. As autoridades também informaram que qualquer embarcação que tenha como destino ou origem portos de países considerados “inimigos” está proibida de atravessar a rota.

Dados da empresa de inteligência energética Kpler indicam que dois navios da empresa chinesa Cosco tentaram cruzar o estreito, mas voltaram após a advertência iraniana. As embarcações estavam retidas na região desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

O estreito de Hormuz é um dos corredores marítimos mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás, e qualquer restrição na passagem de navios gera preocupação sobre o impacto na economia global.

Apesar das tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (26) que o Irã permitiu a passagem de dez petroleiros pelo estreito como um gesto durante negociações indiretas entre os dois países.

O chanceler iraniano Abbas Araqchi disse que o estreito não está totalmente fechado, mas que o país garante passagem segura apenas para navios de nações consideradas amigas.

A situação também provocou reação internacional. A ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, acusou o Irã de colocar a economia global em risco ao restringir a navegação na região e pediu uma solução rápida para o conflito.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que países do G7 discutem medidas para pressionar pela reabertura do estreito. Ele também disse que Washington espera encerrar suas operações militares no Irã nas próximas duas semanas.

Enquanto isso, a escalada militar continua. A Guarda Revolucionária afirmou ter atacado bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein, e o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu ampliar os bombardeios contra alvos iranianos.

Segundo Katz, Israel continuará a intensificar os ataques enquanto persistirem disparos de mísseis contra o país. “Eles pagarão cada vez mais alto”, declarou.