O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu sinais contraditórios sobre os próximos passos da guerra contra o Irã, ao mencionar avanços nas negociações de paz ao mesmo tempo em que autorizou o envio de novas tropas americanas ao Oriente Médio.
Em entrevista ao jornal Financial Times, Trump afirmou que considera a possibilidade de tomar a ilha iraniana de Kharg, principal terminal petrolífero do país no Golfo Pérsico e uma das maiores fontes de financiamento da Guarda Revolucionária iraniana.
“Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, declarou o presidente, acrescentando que a operação seria relativamente fácil e que o Irã teria pouca capacidade de defesa na região.
Segundo o jornal Washington Post, o Pentágono estaria se preparando para semanas de conflito e poderia mobilizar até 10 mil soldados para atuar no Irã.
Já o Wall Street Journal revelou que autoridades americanas analisam uma operação para retirar cerca de 450 quilos de urânio enriquecido do território iraniano, em uma missão considerada complexa e de alto risco.
Apesar das declarações de Trump sobre avanços nas conversas para encerrar a guerra, o governo iraniano negou que haja negociações diretas com Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as exigências apresentadas pelos Estados Unidos são “excessivas, irrealistas e irracionais”.
Ainda assim, Trump disse que o Irã teria permitido a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz como um gesto de boa-fé durante negociações indiretas.
Em meio à escalada militar, o Irã confirmou a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, atingido em um bombardeio realizado por Israel na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país.
A Guarda Revolucionária divulgou um vídeo em que Tangsiri aparece dando a ordem para fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o tráfego comercial pelo estreito caiu cerca de 97%, segundo dados citados pelo Financial Times.
Israel afirmou que Tangsiri era responsável por coordenar ações militares no Golfo Pérsico e supervisionar o bloqueio do estreito. No mesmo ataque, segundo o Exército israelense, também teria sido morto Behnam Rezaei, chefe de inteligência da Marinha da Guarda Revolucionária.
A morte de líderes militares iranianos faz parte de uma série de ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra autoridades do regime desde o início da guerra.
Mesmo após a morte de Tangsiri, a Guarda Revolucionária afirmou que continuará as operações contra EUA e Israel, prometendo novos ataques na região do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.