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Caiado é oficializado pré-candidato do PSD e defende anistia a Bolsonaro
Governador de Goiás diz que primeiro ato na Presidência seria conceder anistia ampla e fala em “fim da era PT”; escolha gerou críticas de Eduardo Leite
30/03/2026 18h17
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), foi oficializado nesta segunda-feira (30) como pré-candidato do Partido Social Democrático à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Caiado disputava internamente a indicação do partido com os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná). Ratinho desistiu da disputa na semana passada, e Leite acabou ficando fora da escolha final.

Durante o discurso, o governador goiano afirmou que, caso seja eleito presidente, seu primeiro ato seria conceder uma anistia ampla, geral e irrestrita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

“Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita. Eu vim com esse objetivo de realmente pacificar o Brasil, ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente”, declarou.

“Fim da era PT”

Caiado também afirmou que o desafio político do país não é apenas vencer o Partido dos Trabalhadores nas eleições, mas governar de forma que o partido deixe de ser uma alternativa eleitoral.

“O desafio não é ganhar a eleição do PT apenas. Isso é fácil. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, afirmou.

Segundo ele, a polarização política que domina o debate nacional poderia ser superada por uma candidatura que não esteja diretamente envolvida nesse embate.

Propostas: segurança, mineração e inteligência artificial

No primeiro discurso como pré-candidato, Caiado também apresentou linhas gerais de sua plataforma política.

Na área econômica e tecnológica, ele defendeu que o Brasil invista na exploração e processamento de minerais críticos, como as chamadas terras raras, usadas na fabricação de baterias, imãs e equipamentos de alta tecnologia.

O governador afirmou que pretende buscar parcerias com Estados Unidos e Japão para desenvolver essa indústria no país.

Na segurança pública, apontada como prioridade, Caiado defendeu maior integração entre polícias estaduais, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além do uso de tecnologia e inteligência artificial no combate ao crime organizado.

Ele também citou o modelo de educação de Goiás — primeiro colocado no Ideb — como referência para uma eventual política educacional nacional.

Kassab fala em “decisão difícil”

Ao anunciar o nome de Caiado, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a escolha foi difícil porque o partido tinha três governadores bem avaliados disputando a indicação.

“É um privilégio para o partido poder fazer essa escolha tendo três excelentes candidatos, três governadores muito bem avaliados em seus estados”, declarou.

O PSD avalia que existe espaço político para uma “terceira via” na disputa presidencial, diante da polarização entre Lula (PT) e o campo político ligado ao bolsonarismo.

Eduardo Leite critica decisão do partido

A escolha de Caiado gerou reação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também disputava a indicação do PSD.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Leite afirmou que a decisão da direção nacional da legenda tende a manter a polarização política no país.

“A definição do nome de Caiado tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”, declarou.

Apesar da crítica, Leite disse que respeita a decisão do partido, mas afirmou que o Brasil está cansado de uma disputa política que, segundo ele, “aprisiona o debate entre extremos”.