O governador Ronaldo Caiado deixou oficialmente o Governo de Goiás nesta terça-feira (31). Em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em Goiânia, o então vice-governador Daniel Vilela (MDB) tomou posse como novo chefe do Executivo estadual.
A saída de Caiado acontece um dia após o político ser anunciado pelo PSD como pré-candidato à Presidência da República.
Caiado e Daniel Vilela chegaram juntos à Assembleia após as 14h, acompanhados das esposas. Sem discursos formais no plenário, os dois seguiram diretamente para a cúpula da Alego, onde foi realizada uma cerimônia especial.
Após a transmissão do governo, Caiado agradeceu a aliados, familiares e eleitores. O agora pré-candidato à Presidência também destacou ações de sua gestão e afirmou que uma das principais marcas do governo foi o combate à criminalidade no estado.
Durante o discurso, Caiado ressaltou que a escolha de Daniel Vilela como vice-governador foi uma decisão pessoal.
“Ninguém me indicou meu vice. Posso dizer com tranquilidade: escolhi o meu vice para governador de Goiás”, afirmou.
O ex-governador também reafirmou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e disse que a eleição presidencial será marcada por um debate sobre segurança pública e combate à criminalidade.
Daniel Elias Carvalho Vilela nasceu em 23 de outubro de 1983, em Jataí, no sudoeste de Goiás. Ele é filho do ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela e de Sandra Regina Carvalho, ex-primeira-dama do estado.
Casado com Iara Alves Netto Vilela, ele tem dois filhos: Maria Laura e Frederico.
Vilela é formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e possui pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Na trajetória política, foi vereador por Goiânia entre 2009 e 2010, deputado estadual entre 2011 e 2014 e deputado federal entre 2015 e 2018. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante da Casa, sendo o segundo parlamentar goiano a ocupar o cargo.
Em 2018, disputou o governo de Goiás, mas não foi eleito. Já em 2022, integrou a chapa com Ronaldo Caiado e foi eleito vice-governador.
Daniel Vilela é considerado um político de perfil moderado e pragmático, com atuação voltada ao diálogo entre diferentes grupos políticos.
Diferente de Caiado, que já declarou defender anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Vilela nunca se posicionou publicamente sobre o tema.
Mesmo mantendo proximidade com lideranças da direita e com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o novo governador costuma evitar pautas ideológicas mais radicais ou que possam gerar controvérsias jurídicas.
Nas articulações para as eleições deste ano, Vilela também tem buscado aproximação com o PL em Goiás, com o objetivo de ampliar o apoio da base bolsonarista à sua reeleição ao governo.
Antes mesmo de assumir oficialmente o governo, Daniel Vilela começou a fazer ajustes na administração estadual.
Após reunião com o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), na noite de segunda-feira (30), Vilela decidiu indicar Luiz Antônio de Oliveira Rosa, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e Mobiliário (Sinduscon) de Anápolis, para a presidência da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).
O cargo era ocupado pelo ex-deputado federal Francisco Jr (PSD), que havia decidido não disputar as eleições deste ano por questões familiares. Ainda assim, aliados do governo tentam convencê-lo a participar do pleito.
A indicação também atende a uma reivindicação de lideranças empresariais de Anápolis, que historicamente ocupam espaço na estrutura do governo estadual.