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Trump diz que Irã pediu cessar-fogo; Teerã nega e guerra se intensifica

Presidente dos EUA condiciona trégua à reabertura do Estreito de Ormuz enquanto Washington amplia ofensiva aérea com bombardeiros B-52

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
01/04/2026 às 15h06
Trump diz que Irã pediu cessar-fogo; Teerã nega e guerra se intensifica
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o Irã teria pedido um cessar-fogo na guerra entre os dois países, conflito que já entra no segundo mês e também envolve Israel. O governo iraniano, porém, negou qualquer proposta de trégua e classificou a declaração como “falsa e sem fundamento”.

A afirmação de Trump foi publicada na rede social Truth Social. Segundo o presidente americano, o pedido teria partido do que ele chamou de “novo regime” iraniano, embora não haja confirmação de mudança de governo no país — cujo presidente continua sendo Masoud Pezeshkian.

Na publicação, Trump disse que os Estados Unidos só considerariam a proposta caso o Irã reabra o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e que foi fechada por Teerã no início da guerra.

“Vamos considerar [a proposta] quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído”, escreveu o presidente.

Irã nega pedido de trégua

Após a declaração de Trump, autoridades iranianas reagiram rapidamente.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou em comunicado transmitido pela televisão estatal que o Estreito de Ormuz continuará fechado “para os inimigos”.

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano disse à emissora Al Jazeera que Teerã não apresentou nenhuma proposta de cessar-fogo aos Estados Unidos.

Segundo o governo iraniano, a fala de Trump é “falsa e sem fundamento”.

Estratégia americana mistura negociações e ameaças

A nova declaração de Trump ocorre em meio a uma estratégia considerada contraditória por analistas internacionais. Nos últimos dias, o presidente americano tem alternado mensagens indicando que o fim da guerra pode estar próximo com ameaças de novas escaladas militares.

O jornal The Wall Street Journal revelou que o governo dos EUA avalia encerrar o conflito mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que pode “obliterar” infraestrutura vital do Irã e a ilha petrolífera de Kharg caso um acordo não seja alcançado.

Em entrevista à agência Reuters, Trump também declarou que:

  • os EUA “deixarão o Irã muito em breve”, possivelmente em duas ou três semanas;
  • Washington poderá realizar novos bombardeios localizados mesmo após o fim da guerra;
  • o Irã “não terá arma nuclear”, segundo avaliação do governo americano;
  • o enriquecimento de urânio do país será monitorado por satélite.

Na mesma entrevista, o presidente americano afirmou ainda que considera seriamente retirar os Estados Unidos da OTAN, demonstrando crescente tensão com aliados internacionais.

EUA usam bombardeiros B-52 pela primeira vez na guerra

Enquanto as declarações diplomáticas se intensificam, os Estados Unidos ampliaram a ofensiva militar.

O Departamento de Defesa confirmou que bombardeiros B-52 sobrevoaram o espaço aéreo iraniano pela primeira vez desde o início da guerra.

A aeronave é considerada uma das armas mais poderosas da Força Aérea americana.

Segundo o Pentágono, os bombardeiros serão usados para atingir cadeias de suprimentos que abastecem a produção de mísseis, drones e embarcações militares do Irã, com o objetivo de impedir a reposição de armamentos usados no conflito.

De acordo com o New York Times, o uso desse tipo de aeronave também indica fragilidade da defesa aérea iraniana, já que o B-52 não possui grande agilidade e costuma operar em cenários onde o risco de interceptação é reduzido.

Um dos bombardeiros mais poderosos do mundo

O B-52, fabricado pela Boeing, é um bombardeiro estratégico capaz de transportar até 32 toneladas de armamentos, incluindo bombas, minas e mísseis de cruzeiro.

A aeronave possui oito motores, pode voar a até 15 mil metros de altitude e tem autonomia de mais de 14 mil quilômetros sem reabastecimento.

Criado na década de 1950 para transportar armas nucleares durante a Guerra Fria, o modelo se tornou um dos pilares da aviação militar americana.

Ao todo, 744 unidades foram produzidas, e o bombardeiro participou de praticamente todos os grandes conflitos envolvendo os Estados Unidos, incluindo:

  • a Guerra do Vietnã
  • operações após os ataques de 11 de setembro de 2001
  • missões contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria
  • operações militares no Caribe contra o tráfico internacional de drogas

A Força Aérea americana afirma que o modelo continuará em operação pelo menos até 2050, após sucessivas atualizações tecnológicas.

Irã ameaça retaliar empresas americanas

Após os bombardeios recentes, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou retaliar empresas americanas no Oriente Médio.

Entre os alvos citados está a Boeing, fabricante do bombardeiro B-52.

Segundo o grupo militar iraniano, instituições envolvidas em operações contra o país podem se tornar “alvos legítimos”, e trabalhadores dessas empresas foram orientados a deixar suas instalações por segurança.

A escalada de ameaças indica que, mesmo com discussões sobre cessar-fogo, a guerra ainda segue em fase de alta tensão militar e diplomática.

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