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Missão Artemis II levará astronautas à Lua após mais de 50 anos
Primeiro voo tripulado ao redor do satélite desde 1972 testará novo foguete da Nasa e abrirá caminho para futuras missões de pouso
01/04/2026 15h48
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A missão Artemis II, da Nasa, está pronta para marcar uma nova etapa na exploração espacial. Três homens e uma mulher devem partir nesta quarta-feira (1º) em direção à Lua, no primeiro voo tripulado ao redor do satélite natural desde 1972, quando ocorreu o fim do programa Apollo.

O lançamento está programado para 18h24 no horário da Flórida (19h24 em Brasília), a partir do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos.

A missão reunirá uma equipe internacional composta pelos astronautas americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. A viagem deve durar cerca de 10 dias.

Missão fará voo ao redor da Lua

Diferentemente das missões Apollo que realizaram pousos, a Artemis II terá como objetivo testar o novo sistema lunar da Nasa em um voo tripulado ao redor da Lua, sem aterrissagem.

A trajetória é semelhante à missão Apollo 8, realizada em 1968, que também orbitou o satélite natural da Terra.

A viagem marca ainda um momento histórico: será a primeira vez que uma mulher, um homem negro e um astronauta não americano participam de uma missão lunar.

Teste do novo foguete SLS

A missão também será o primeiro voo tripulado do foguete SLS (Space Launch System), o novo sistema de lançamento da Nasa desenvolvido para missões de exploração profunda.

O foguete, com cores laranja e branca, foi projetado para permitir que os Estados Unidos retornem de forma recorrente à Lua nos próximos anos.

A Artemis faz parte de um programa mais amplo que busca estabelecer uma presença permanente no satélite, com a criação de uma base que servirá de apoio para futuras missões.

Segundo a astronauta Christina Koch, essa etapa é fundamental para expandir o conhecimento científico e preparar novas viagens espaciais.

“É um degrau em direção a Marte, onde poderíamos ter a maior probabilidade de encontrar evidências de vida passada, mas também uma chave para entender como se formam outros sistemas solares”, afirmou.

Lançamento enfrentou atrasos

A missão estava inicialmente prevista para fevereiro, mas problemas técnicos e ajustes de engenharia provocaram atrasos, fazendo com que o foguete precisasse retornar ao hangar para novas análises.

Segundo Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, todos os sistemas agora estão preparados para a missão.

“O veículo está pronto, o sistema está pronto, a tripulação está pronta”, afirmou durante coletiva.

Até a véspera do lançamento, a Nasa indicava que as condições meteorológicas eram favoráveis.

Se a decolagem desta quarta-feira for adiada, novas oportunidades de lançamento estarão disponíveis até o dia 6 de abril, embora a previsão para o fim da semana seja menos favorável.

Segundo o meteorologista da missão, Mark Burger, a equipe monitora a presença de nuvens e possíveis rajadas de vento, mas as condições indicam que deve ser possível encontrar uma janela segura para a decolagem.

Programa Artemis mira retorno humano à Lua

O programa Artemis enfrenta desafios tecnológicos e custos elevados, além de depender de avanços do setor privado para etapas futuras.

Para que astronautas possam voltar a pisar na Lua, será necessário desenvolver um módulo de pouso lunar, projeto que está sendo disputado por empresas de exploração espacial ligadas aos bilionários Elon Musk e Jeff Bezos.

A meta do governo dos Estados Unidos é realizar um novo pouso lunar antes de 2029.

Para o novo chefe da Nasa, Jared Isaacman, a missão também tem um impacto simbólico importante.

“Depois deste voo ao redor da Lua, haverá mais crianças se fantasiando de astronautas no Halloween. Isso vai inspirar a próxima geração a nos levar ainda mais longe”, afirmou.