
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), revelou nesta quarta-feira (1º/4) que pediu ajuda ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, para tratar da situação do Banco de Brasília (BRB) e buscar alternativas para o equilíbrio financeiro da instituição.
Segundo Celina, os dois conversaram por telefone na terça-feira (31/3). Durante o contato, a governadora pediu que o ministro intermediasse um diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também com o presidente da Caixa Econômica Federal.
“Tive contato com o ministro Dario. Fiz o apelo a ele que falasse com o presidente Lula e que pudesse falar também com o presidente da Caixa. Até porque eu acho que o diálogo faz parte inclusive do regimento, da liturgia, do cargo de governador, de um ministro, de um presidente da República. E a gente fez esses apelos”, afirmou Celina.
De acordo com a governadora, a intenção é abrir um canal de diálogo para encontrar soluções para a situação do banco.
“Eu tenho certeza de que isso será muito bom para nos ajudar a tirar o BRB desse momento”, disse.
Entre as iniciativas adotadas está a Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) — acionista controlador do BRB — a tomar medidas para restabelecer as condições econômico-financeiras da instituição.
A lei foi sancionada em 10 de março de 2026 e permite ao GDF contrair empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras, utilizando imóveis públicos como garantia.
Ao todo, nove imóveis foram inicialmente listados como possíveis garantias para a operação. No entanto, Celina Leão anunciou que decidiu retirar da lista a Gleba A, localizada na Serrinha do Paranoá.
Segundo a governadora, a decisão foi motivada por preocupações ambientais.
“Eu retirei a Serrinha dos imóveis que vamos deixar para o fundo imobiliário do BRB”, declarou.
Ela explicou que a região possui diversas nascentes e que a preservação ambiental foi considerada essencial.
“A questão ambiental é séria. Isso poderia contaminar os demais ativos para capitalização do BRB e manter o questionamento na Justiça. A área precisa ser preservada, tem muitas nascentes ali”, afirmou.
Em meio à crise, o BRB enfrenta dificuldades para apresentar seus resultados financeiros.
Na última quarta-feira (31/3), o banco não conseguiu cumprir o prazo para divulgação do balanço, segundo informou o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza.
De acordo com ele, o banco aguarda a conclusão de uma auditoria forense, que deve apontar o valor real do prejuízo causado pelas operações com ativos do Banco Master.
Enquanto isso, a instituição tenta obter um empréstimo de cerca de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A expectativa é que a operação permita ao banco apresentar um balanço financeiro menos negativo e com perspectiva de recuperação da instituição.