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Irã rejeita trégua e tensão com EUA aumenta após novas ameaças de Trump
Teerã exige fim das sanções e solução definitiva para guerra; presidente americano amplia ultimato sobre Estreito de Hormuz e ameaça atacar infraestrutura iraniana
06/04/2026 14h23
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou novos capítulos nesta semana após o governo iraniano rejeitar uma proposta de trégua temporária e afirmar que a guerra continuará enquanto não houver uma solução definitiva para o conflito. Ao mesmo tempo, o presidente americano Donald Trump voltou a elevar o tom contra Teerã, estendendo pela quarta vez o prazo para a reabertura do Estreito de Hormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo.

O novo ultimato estabelece que o Irã tem até terça-feira (7) para reabrir completamente a passagem marítima. Caso contrário, Trump afirmou que poderá ordenar ataques contra infraestruturas civis iranianas, como pontes e usinas de energia.

Irã propõe negociação mais ampla

O governo iraniano apresentou uma contraproposta aos Estados Unidos com dez pontos de negociação, que incluem o fim das sanções econômicas contra o país, garantias para a reconstrução de áreas afetadas pela guerra e um acordo para regular o uso do Estreito de Hormuz.

Teerã rejeitou a ideia de um cessar-fogo temporário de 45 dias, que vinha sendo discutido nos bastidores por mediadores internacionais, afirmando que apenas uma solução permanente poderia encerrar o conflito.

Ao comentar a proposta iraniana, Trump afirmou que o gesto é “significativo, mas não é bom o bastante” e reforçou que o prazo dado ao Irã é final e não negociável.

O presidente americano também voltou a afirmar que o país persa precisa ser impedido de desenvolver armas nucleares, tema que continua no centro das negociações entre os dois governos.

A tensão aumentou ainda mais após Israel matar o general Majid Khademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, em um bombardeio realizado em Teerã.

A ação faz parte da estratégia militar liderada pelos Estados Unidos e executada principalmente por Israel, que nas primeiras fases da guerra também realizou ataques que eliminaram diversos líderes militares e políticos iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

Israel também realizou novos ataques contra instalações ligadas ao setor energético iraniano, incluindo estruturas próximas ao campo de gás Pars Sul, o maior do mundo e compartilhado entre Irã e Catar.

Embora Teerã tenha permitido a passagem de navios de alguns países, a rota permanece parcialmente bloqueada, o que mantém os mercados de energia em alerta e contribui para a alta do preço do petróleo no mercado internacional.

Trump voltou a ameaçar diretamente o Irã em declarações recentes, afirmando que poderá ordenar ataques contra infraestrutura civil caso o país não ceda às exigências americanas.

“Eles não terão pontes, nem usinas de energia. Não terão nada”, declarou o presidente dos Estados Unidos.

O comando militar iraniano respondeu afirmando que, caso essas ameaças se concretizem, uma retaliação “muito mais devastadora” poderá ser lançada contra alvos na região, incluindo infraestrutura energética, cidades israelenses e instalações estratégicas em países vizinhos.

Entre os possíveis alvos citados por autoridades iranianas estariam usinas de dessalinização de água no Oriente Médio, essenciais para o abastecimento de diversos países da região.

Ataques e vítimas

Os confrontos também continuam afetando diretamente populações civis. Um ataque iraniano deixou ao menos cinco feridos na região de Tel Aviv, centro econômico de Israel.

Na cidade de Haifa, no norte do país, equipes de resgate retiraram quatro corpos de um prédio destruído após bombardeios realizados no domingo.

Negociações continuam

Apesar da escalada de ameaças e ataques, negociações continuam ocorrendo nos bastidores. Segundo relatos de veículos internacionais, a proposta americana teria sido enviada ao Irã por meio de militares do Paquistão, que atuam como intermediários nas conversas.

O centro das negociações permanece o mesmo tema que motivou o acordo nuclear de 2015: a possibilidade de o Irã limitar seu programa nuclear em troca do fim das sanções internacionais.

No entanto, o principal impasse continua sendo a exigência iraniana de manter capacidade de enriquecimento de urânio, algo que Washington considera um risco para a produção futura de armas nucleares.

Com o prazo do ultimato se aproximando, cresce a preocupação internacional de que a crise possa escalar para um conflito ainda maior no Oriente Médio, com impactos diretos na segurança global e no mercado de energia.