O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou um jato privado pertencente ao advogado Otto Medeiros de Azevedo Jr., segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo.
De acordo com registros aéreos, Lulinha embarcou na aeronave no dia 19 de fevereiro de 2025, no hangar executivo do Aeroporto de Brasília, por volta das 17h30. No mesmo horário, Otto Medeiros também entrou no local, conforme lista de passageiros registrada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O avião, de prefixo PR-WBW, decolou às 19h36 com destino ao Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), terminal privado operado pela JHSF e destinado apenas a jatos executivos.
Otto Medeiros foi um dos maiores doadores pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, em 2022. Ele destinou R$ 2 milhões à candidatura do atual governador paulista.
O mesmo valor também foi doado por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O advogado Medeiros já atuou na defesa de Fábio Luís em um processo em que o empresário foi acusado de sonegação fiscal durante a Operação Lava Jato.
Na ocasião, Lulinha foi investigado por supostamente ter recebido R$ 132 milhões da operadora Oi, entre 2004 e 2016, por meio da empresa GameCorp, que produzia conteúdos voltados para tecnologia e games. O processo acabou anulado pela Justiça.
A defesa de Fábio Luís afirmou que o voo teve caráter privado e pontual. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, declarou que não irá comentar “todo e qualquer aspecto da vida pessoal” do empresário.
Segundo a defesa, o filho do presidente não ocupa cargo público nem exerce função pública, e por isso o deslocamento seria parte de sua vida privada.
Fábio Luís também é citado em investigação da Polícia Federal sobre possíveis ligações com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de participar de um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
A defesa do empresário afirma que não há relação direta ou indireta de negócios entre Lulinha e Camilo Antunes.
Segundo os advogados, o contato entre os dois teria ocorrido apenas em uma viagem a Portugal, quando o empresário convidou Fábio Luís para visitar uma fábrica de extração de canabidiol no país.
Os advogados também afirmam que aguardam o arquivamento do caso, alegando que nenhum valor foi encontrado nas contas de Lulinha que o ligasse ao empresário investigado.