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Janela partidária gera tensão entre União Brasil e PL

Saída de deputados para partido de Bolsonaro provoca críticas internas e amplia desgaste político entre as duas siglas

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
06/04/2026 às 17h58
Janela partidária gera tensão entre União Brasil e PL
Foto: Reprodução

A movimentação de parlamentares durante a janela partidária, período em que deputados podem trocar de partido sem perder o mandato, provocou um clima de tensão entre o União Brasil e o PL. O União perdeu oito deputados federais, enquanto o partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou o reforço de dez novos parlamentares.

Entre os nomes que deixaram o União Brasil estão Mendonça Filho (PE), Alfredo Gaspar (AL) e Rodrigo Valadares (SE), todos com atuação de destaque no Congresso. A avaliação dentro da cúpula do União é que o PL avançou sobre quadros estratégicos da legenda.

Reservadamente, um integrante da direção do partido afirmou que a movimentação causou incômodo.

“Quem quer aliança não pesca dentro do aquário”, disse.

Saída de deputados com protagonismo irrita liderança

Integrantes do União Brasil afirmam que vários parlamentares que migraram para o PL haviam recebido espaços importantes dentro da legenda, o que aumentou o desconforto com a saída.

Entre os exemplos citados está o deputado Alfredo Gaspar, que foi indicado pelo partido para integrar a CPMI do INSS e acabou deixando a sigla após ganhar projeção no colegiado.

Outros nomes também tiveram papel de destaque no Congresso antes da mudança de partido. Mendonça Filho foi relator da PEC da Segurança, enquanto Rodrigo Valadares relatou a primeira versão do projeto de anistia relacionado aos atos de 8 de janeiro.

Segundo interlocutores do União Brasil, o partido acabou funcionando como uma espécie de “barriga de aluguel”, oferecendo espaço político a parlamentares que posteriormente migraram para outra legenda.

Mudança pode impactar cenário eleitoral

A saída de alguns deputados também pode ter reflexos nas disputas eleitorais regionais. Um dos casos mencionados internamente é o de Alfredo Gaspar, que pode se tornar adversário da federação União Brasil–PP em Alagoas.

Gaspar ainda não definiu se disputará uma vaga no Senado, mas essa possibilidade poderia dificultar a candidatura do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Outra hipótese considerada é uma eventual candidatura de Gaspar ao governo do estado.

Apesar do desgaste recente entre as siglas, integrantes do União avaliam que o partido ainda pode apoiar um candidato do campo bolsonarista na eleição presidencial. Após a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil para se filiar ao PSD, a tendência apontada internamente seria apoiar Flávio Bolsonaro, mesmo com a tensão provocada pela disputa por parlamentares.

Dirigentes do União Brasil avaliam que a redução da bancada já era esperada por causa da formação da federação com o PP. Antes da janela partidária, o partido tinha 59 deputados federais. Agora, a bancada deve ficar com 51 parlamentares.

Apesar da diminuição, a projeção interna é de que o partido consiga eleger entre 60 e 70 deputados federais nas próximas eleições.

Somando os parlamentares eleitos pelo PP, a expectativa da federação é atingir ou até superar a marca de 100 deputados na Câmara, mantendo relevância no Congresso Nacional.

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