Geral Geral
Brasil registrou 900 mil ataques virtuais a jornalistas em 2025
Relatório da Abert aponta média de quase 2,5 mil agressões online por dia contra profissionais da imprensa
07/04/2026 15h27
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Brasil registrou cerca de 900 mil ataques virtuais contra jornalistas em 2025, segundo o Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão, divulgado nesta terça-feira (7) pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O volume equivale a aproximadamente 2.465 agressões por dia, ou quase duas por minuto, em redes sociais e plataformas digitais.

De acordo com o documento, o número representa um aumento de 35% em relação ao período anterior. A apresentação do relatório foi feita pelo presidente da entidade, Cristiano Lobato Flôres, que destacou o crescimento das agressões no ambiente digital.

“Todos sabem que a grande arena pública da internet mudou muito a forma como as agressões são perpetradas ao universo jornalístico. Um deles, agora o principal, é na modalidade virtual”, afirmou.

Violência física ainda ocorre contra profissionais

Apesar do crescimento dos ataques online, o levantamento também aponta casos de violência fora do ambiente digital. Em 2024, foram registrados 66 episódios de violência não letal contra jornalistas, envolvendo pelo menos 80 profissionais ou veículos de comunicação.

O número representa queda de 9,1% nos casos e redução de 5% no total de vítimas em relação ao período anterior.

Mesmo assim, o relatório indica que a cada cinco dias a imprensa sofreu algum tipo de agressão no país. As agressões físicas representaram 39% dos casos, com 26 registros, um aumento de 11,5% em comparação ao ano anterior.

Segundo a Abert, homens foram as principais vítimas, e profissionais de emissoras de televisão concentraram a maior parte dos ataques. O relatório também aponta que políticos e ocupantes de cargos públicos aparecem como os principais autores das agressões, seguidos por torcedores ou integrantes de times de futebol.

Uso de inteligência artificial preocupa especialistas

O relatório também aponta o crescimento do uso de inteligência artificial para ampliar ataques virtuais ou reforçar narrativas negativas sobre a imprensa profissional.

Entre os conteúdos analisados, aparecem com frequência questionamentos sobre o posicionamento ideológico dos veículos de comunicação e críticas sobre a escolha de temas priorizados na cobertura jornalística.

No cenário internacional, o Brasil apresentou melhora no ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres sem Fronteiras. Entre 180 países avaliados, o país ocupa atualmente a 63ª posição. Em 2021, o Brasil havia aparecido na 111ª posição, dentro da chamada “zona vermelha” do ranking.

Governo cria protocolo nacional de proteção a jornalistas

No mesmo dia da divulgação do relatório, o governo federal anunciou a criação de um protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores. A medida foi assinada no Dia do Jornalista, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

Segundo o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, a iniciativa busca fortalecer a proteção aos profissionais da imprensa e garantir investigações mais eficazes.

“Quando um jornalista é atacado por causa do que investiga, não é apenas uma pessoa que sofre, é a própria democracia que recua”, afirmou.

O protocolo estabelece diretrizes para prevenção e investigação de crimes contra jornalistas, além de prever medidas para preservação de provas, proteção às vítimas e apoio a familiares.

De acordo com a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, o documento também orienta autoridades sobre como conduzir investigações com abordagem humanizada e respeito ao sigilo da fonte, considerado essencial para o exercício da atividade jornalística.