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Trump: “uma nação inteira vai morrer hoje” em ameaça ao Irã
Presidente dos EUA diz que “uma civilização inteira” pode morrer e estabelece prazo até a noite desta terça-feira
07/04/2026 16h01
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (7) uma das declarações mais duras desde o início da guerra com o Irã. Em publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que “uma civilização inteira” poderá morrer caso não haja acordo para a reabertura do Estreito de Hormuz nas próximas horas.

Segundo Trump, se o canal estratégico continuar fechado, ataques contra o território iraniano poderão ocorrer ainda nesta semana. O prazo estabelecido pelo presidente americano termina às 21h desta terça-feira (horário de Brasília).

O Estreito de Hormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos globalmente passam pelo local.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, 3.546 pessoas morreram, segundo a organização de direitos humanos Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos (Hrana). Entre as vítimas estão 1.616 civis, incluindo pelo menos 244 crianças.

Ultimato dos Estados Unidos aumenta tensão

Na publicação feita na manhã desta terça, Trump afirmou que os ataques podem atingir infraestruturas essenciais do país, como pontes e usinas de energia, caso o Irã não reabra o estreito.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu o presidente.

O republicano também disse que, se não houver acordo até o prazo estabelecido, as operações militares começariam às 1h de quarta-feira (8).

Especialistas em direito internacional e críticos do governo americano afirmam que ataques deliberados contra infraestrutura civil podem configurar crime de guerra. Questionado sobre isso durante um evento oficial, Trump respondeu que não considera as ações ilegais e chamou os iranianos de “animais”.

As declarações provocaram forte reação de políticos americanos. A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez classificou a fala como uma “ameaça de genocídio” e afirmou que o Congresso deveria discutir a destituição do presidente.

Outros líderes democratas, como Hakeem Jeffries e o senador Bernie Sanders, também criticaram a escalada militar e afirmaram que recursos públicos estão sendo usados em uma guerra que viola o direito internacional.

Irã convoca população para proteger usinas

Do lado iraniano, autoridades afirmaram que qualquer negociação de paz só poderá ocorrer após o fim completo dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, além de garantias de que novas ofensivas não acontecerão.

O regime iraniano também pediu que a população forme correntes humanas ao redor de usinas de energia para tentar impedir ataques. O vice-ministro dos Esportes do país, Alireza Rahimi, convocou artistas e atletas para participar da mobilização.

“Estaremos de mãos dadas para dizer: atacar infraestrutura pública é um crime de guerra”, afirmou Rahimi.

Enquanto isso, o conflito continua se intensificando. Israel voltou a atacar o complexo petroquímico de South Pars, considerado o maior campo de produção de gás do mundo. Também houve bombardeios na Ilha de Kharg, responsável por armazenar cerca de 90% do petróleo exportado pelo Irã, além de ataques contra pontes e infraestrutura em cidades próximas a Teerã.

O cenário mantém os mercados em alerta. Nesta terça-feira, os preços do petróleo oscilaram após a Organização das Nações Unidas rejeitar o uso de força militar para reabrir o Estreito de Hormuz. Por volta das 13h40, o barril registrava queda de 0,24%, cotado a US$ 109,51.