Uma operação da Polícia Civil de Goiás prendeu seis pessoas suspeitas de integrar um esquema de venda de vagas no Sistema Único de Saúde (SUS). A ação, chamada Operação Mercancia Torpe, foi realizada nesta terça-feira (7) e apura fraudes na regulação médica estadual e municipal.
Segundo as investigações, o grupo atuava para comercializar vagas destinadas a cirurgias, exames e consultas médicas, procedimentos que deveriam ser acessados gratuitamente pelo sistema público de saúde.
A polícia afirma que, dependendo do valor pago, os suspeitos conseguiam alterar a prioridade na fila de atendimento, favorecendo pacientes que pagavam pelo serviço e prejudicando aqueles que aguardavam na fila regular do SUS.
Ao todo, foram cumpridos 52 mandados judiciais, entre eles:
As ordens foram executadas em Goiânia, Goianira, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Corumbá de Goiás, Catalão, Cromínia, Cristianópolis, São Luiz do Norte e Maripotaba.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) e apuram crimes como:
Segundo a polícia, o esquema manipulava o sistema de regulação médica para inserir pacientes em posições privilegiadas na fila do SUS.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que a identificação das irregularidades começou a partir do trabalho de inteligência da própria pasta, que monitora continuamente o sistema de regulação.
De acordo com o órgão, as informações foram repassadas às autoridades para aprofundamento das investigações.
A pasta também afirmou que não há envolvimento de servidores da regulação estadual no esquema investigado.
A atual ação policial é considerada um desdobramento da Operação Hipócrates, deflagrada em 2023, que também investigou irregularidades no sistema de saúde.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que está à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações. O órgão afirmou ainda que a sede da regulação municipal não foi alvo da operação realizada nesta terça-feira (7).
Já a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia declarou que não foi formalmente citada na investigação até o momento e que não teve acesso aos nomes das pessoas presas.
O município afirmou também que não houve ações da Polícia Civil em unidades da rede municipal de saúde, mas garantiu que está à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento do caso.