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Investigação revela “mulheres de Vorcaro” bancadas em jatinhos e hotéis de luxo

Investigação aponta que ex-dono do Banco Master organizava festas com mulheres estrangeiras e brasileiras para autoridades e empresários; especialistas afirmam que prática pode configurar propina

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas Fonte: Folha de S. Paulo
08/04/2026 às 16h48
Investigação revela “mulheres de Vorcaro” bancadas em jatinhos e hotéis de luxo
Foto: Reprodução/ Folha de São Paulo

O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, investiu na organização de festas luxuosas com modelos estrangeiras e brasileiras para autoridades e integrantes da elite política e empresarial do país. Segundo levantamento da reportagem da Folha de S.Paulo, os eventos incluíam viagens em jatinhos, hospedagem em hotéis de luxo e logística internacional para trazer convidadas de diferentes países.

A reportagem identificou ao menos 20 mulheres que participaram dessas festas, sendo 14 com perfis públicos em redes sociais. Entre as nacionalidades citadas estão Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela. Também havia brasileiras, algumas vindas de estados do Sul do país em busca de oportunidades profissionais.

A defesa de Vorcaro informou que não comentará o assunto. Os hotéis citados nas investigações afirmaram que não se manifestam sobre hóspedes.

Festas faziam parte da estratégia de negócios

De acordo com mensagens obtidas pela investigação da Polícia Federal, o próprio Vorcaro teria admitido que a realização dessas festas fazia parte de sua estratégia de negócios.

Em uma conversa com sua então noiva, Martha Graeff, datada de agosto de 2025, o empresário afirmou que os eventos com grande número de mulheres faziam parte do seu “business”.

Segundo executivos ouvidos pela reportagem, os encontros eram cuidadosamente planejados e organizados para ocorrer durante a semana, evitando conflitos com compromissos políticos ou familiares dos convidados.

A logística incluía voos internacionais em primeira classe, transporte em aeronaves particulares e hospedagem em locais de alto padrão.

Eventos em resorts, hotéis de luxo e durante a Fórmula 1

Um dos eventos mais comentados ocorreu em Trancoso, na Bahia, em outubro de 2022, poucos dias antes do aniversário do empresário. A festa teve apresentações musicais, DJs, performances com tochas e decoração inspirada na Amazônia.

As modelos ficaram hospedadas por vários dias em imóveis e hotéis de luxo, incluindo o Rosewood São Paulo e uma residência no bairro do Joá, no Rio de Janeiro. O transporte até o local foi feito em aeronaves ligadas ao empresário.

Outro período de grande concentração de convidadas ocorreu durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, em 2023, quando o Banco Master patrocinava a equipe Aston Martin Aramco Formula One Team. Segundo documentos da investigação, apenas uma festa organizada na semana da corrida teve orçamento estimado em US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 22,5 milhões na cotação da época).

O evento contou com buffet internacional, bebidas premium e estrutura VIP com mordomos, seguranças e carros blindados.

Especialistas dizem que prática pode caracterizar propina

Até o momento, não há confirmação oficial sobre quais autoridades participaram dos eventos nem se houve gravações comprometedores nos equipamentos apreendidos pela investigação.

No entanto, especialistas em legislação anticorrupção afirmam que a oferta de companhia feminina paga a autoridades pode ser considerada vantagem indevida, conceito utilizado nas leis anticorrupção de países como Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.

Segundo o advogado Guilherme Fance, da Transparência Internacional Brasil, esse tipo de benefício pode ser equiparado ao pagamento de propina.

“A legislação evoluiu e passou a adotar o conceito de vantagem indevida, que é mais amplo do que pagamento em dinheiro. A oferta de serviços desse tipo a autoridades pode se enquadrar nessa definição”, afirmou.

Especialistas também apontam que gastos desse tipo podem ser classificados como fraude contábil, caso não estejam registrados nas contas das empresas envolvidas.

Além disso, juristas destacam que, se for comprovado que houve exploração da prostituição para beneficiar o empresário em suas relações com autoridades, a prática pode configurar crimes como rufianismo, quando alguém obtém lucro com a exploração da atividade de terceiros.

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