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Empresários de Anápolis presos por jogo do bicho
Investigação aponta organização criminosa com atuação em diversos estados e mais de 15 mil pontos de apostas ilegais
09/04/2026 16h36 Atualizada há 6 dias
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Empresários de Anápolis foram presos durante uma operação contra uma organização criminosa suspeita de explorar jogos de azar e lavar dinheiro em um esquema que teria movimentado mais de R$ 2 bilhões em quatro anos.

A ação foi conduzida pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR). Ao todo, 61 pessoas foram presas preventivamente.

Segundo as investigações, o grupo tinha base operacional em Cianorte, no Paraná, mas atuava em vários estados do país.

De acordo com o delegado da PCPR Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, as investigações apontam que houve uma fusão entre um grupo criminoso do Paraná e outro de Goiás.

Segundo ele, os investigados chegaram a criar uma empresa para formalizar essa parceria.

De acordo com a polícia, a empresa teria conseguido até mesmo autorização governamental para exploração de loterias estaduais junto à Loterj.

Esquema utilizava tecnologia e apostas online

As investigações apontam que a organização possuía uma estrutura complexa, dividida em diferentes núcleos:

Segundo o promotor Filipe Assis Coelho, o grupo mantinha uma empresa de tecnologia responsável por desenvolver sistemas para exploração de jogos ilegais.

Entre eles estava o sistema chamado “Suni”, que permitia realizar e controlar apostas online.

A ferramenta funcionava como um sistema central de gestão das apostas, integrando máquinas de pagamento (POS) e plataformas digitais.

Segundo o Ministério Público, o sistema era utilizado em pelo menos 14 estados, com mais de 15 mil pontos de exploração do jogo do bicho.

Além do jogo do bicho, o grupo também explorava apostas esportivas e jogos online, incluindo plataformas como o chamado “Tigrinho”.

Operação bloqueou R$ 1,5 bilhão e apreendeu bens

A operação, batizada de Big Fish, cumpriu 85 mandados de prisão preventiva e 102 mandados de busca e apreensão contra 90 investigados.

Também foram expedidas 184 ordens de bloqueio de contas bancárias, que podem resultar no sequestro de cerca de R$ 1,5 bilhão.

Entre os bens bloqueados estão:

Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. Até o momento, os nomes dos suspeitos não foram divulgados e a defesa deles não foi localizada pela reportagem.