O Exército Brasileiro e a Polícia Federal cumpriram nesta sexta-feira (10) mandados de prisão contra quatro militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações no STF, após a rejeição de recursos apresentados pelas defesas. Os militares fazem parte do chamado núcleo 4 da trama golpista, grupo apontado pelas investigações como responsável pela disseminação de desinformação.
Foram presos o major da reserva Ângelo Martins Denicoli, o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues, o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida e o ex-major Ailton Gonçalves Moraes Barros.
Segundo as autoridades, Denicoli, Giancarlo e Guilherme foram presos pela manhã por equipes do Exército. Já Ailton Moraes Barros foi detido pela Polícia Federal no período da tarde.
Outros dois condenados ainda são considerados foragidos: o coronel Reginaldo Vieira de Abreu e Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.
Ao todo, sete pessoas foram condenadas nesse núcleo da investigação, com penas que variam entre 7 anos e 6 meses e 17 anos de prisão.
De acordo com a investigação, o grupo atuava na produção e disseminação de informações falsas sobre o sistema eleitoral, especialmente sobre as urnas eletrônicas.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o núcleo teria organizado ataques virtuais contra autoridades e instituições como parte de um plano mais amplo para questionar o resultado das eleições e manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o grupo monitorava redes sociais e promovia campanhas de desinformação para alimentar a mobilização de apoiadores.
Os integrantes foram condenados por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, além de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
As penas definidas pelo STF incluem:
As investigações também apontam que parte dos envolvidos teria utilizado estruturas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para ações ligadas à disseminação de conteúdos falsos e ataques virtuais.
O caso faz parte de uma série de processos conduzidos pelo STF sobre os atos antidemocráticos ocorridos entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília no 8 de janeiro de 2023.