Política DATAFOLHA
Lula enfrenta cenário mais apertado nas eleições desde 2002
Datafolha mostra disputa acirrada com Flávio Bolsonaro; analistas apontam polarização e desgaste do governo
13/04/2026 15h33
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o cenário mais apertado de primeiro turno em todas as eleições que venceu. A seis meses do pleito de 2026, pesquisas indicam uma disputa mais equilibrada do que em 2002, 2006 e 2022.

Levantamento do Datafolha divulgado neste mês aponta Lula com 39% das intenções de voto, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O cenário atual contrasta com eleições anteriores vencidas por Lula:

Agora, a diferença é a menor já registrada nesse estágio da disputa.

Segundo o cientista político Elias Tavares, há uma redução consistente da vantagem do petista ao longo dos anos, impulsionada por um eleitorado mais dividido e por uma oposição mais consolidada.

Outro fator apontado é a ausência de uma “marca forte” de governo, como ocorreu em mandatos anteriores, a exemplo do programa Fome Zero.

Rejeição alta e disputa aberta

Além da proximidade nas intenções de voto, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam níveis de rejeição semelhantes:

Outros nomes da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, têm menor rejeição, mas também menos conhecimento do eleitorado.

Especialistas avaliam que esse cenário favorece o chamado “voto útil”, especialmente em um ambiente polarizado, como já ocorreu em eleições recentes no Brasil.

Analistas apontam três principais desafios para o presidente:

Há ainda preocupação com o segundo turno, onde pesquisas indicam empate técnico com adversários.

Apesar do cenário apertado, especialistas destacam que a eleição segue em aberto e pode sofrer mudanças ao longo dos próximos meses.

Entre os fatores que podem impactar o resultado estão:

Por outro lado, Lula conta com a vantagem de estar no cargo, o que historicamente pode favorecer candidatos à reeleição ao longo da campanha.

Para especialistas, o quadro atual indica uma eleição mais imprevisível do que nos ciclos anteriores, com margem reduzida e maior competitividade desde o primeiro turno.