O dólar voltou a operar abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13), em meio à escalada de tensões no Oriente Médio após o início do bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Por volta das 15h, a moeda americana recuava 0,36%, cotada a R$ 4,99, enquanto o Ibovespa registrava leve alta de 0,24%, aos 197,8 mil pontos.
O movimento ocorre em um cenário de alta volatilidade internacional, impulsionado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu eliminar embarcações iranianas que se aproximarem da área controlada pela Marinha americana.
O bloqueio começou a valer nesta segunda-feira e atinge diretamente uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente, o que torna qualquer interferência no fluxo um fator de impacto imediato nos mercados.
A ordem dos Estados Unidos prevê a interceptação de navios ligados ao Irã ou que tenham relação com portos iranianos. Em resposta, Teerã sinalizou possibilidade de retaliação, elevando o risco de confronto direto na região.
A medida já provoca efeitos práticos: embarcações passaram a evitar o estreito, e o fluxo marítimo foi reduzido, afetando o transporte internacional de energia.
Esse cenário reforça preocupações com a inflação global, já que o petróleo influencia diretamente custos de transporte, produção e energia.
No Brasil, esse efeito já aparece nas projeções econômicas. O Boletim Focus do Banco Central elevou a estimativa de inflação para 2026 para 4,71%, acima do teto da meta, refletindo o impacto das tensões internacionais.
Investidores também monitoram a atuação do Banco Central e as falas do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, além de indicadores internacionais e decisões de política monetária.
No fim de semana, uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, realizada no Paquistão, terminou sem acordo. As conversas duraram mais de 20 horas, mas não avançaram diante da recusa iraniana em aceitar condições impostas por Washington, especialmente sobre o programa nuclear.
O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que os EUA exigem garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares — ponto central do impasse.
A falta de acordo aumenta a incerteza e mantém o risco de escalada militar, o que tende a continuar influenciando os mercados nos próximos dias.
No exterior, o cenário é de cautela. As bolsas de Wall Street operaram sem direção única, enquanto índices europeus registraram queda. Na Ásia, os mercados fecharam próximos da estabilidade, refletindo a combinação de tensão geopolítica e expectativa por novos dados econômicos.
A possibilidade de agravamento do conflito, somada ao impacto sobre o petróleo, mantém investidores em posição defensiva.
A combinação entre conflito geopolítico, pressão inflacionária e incertezas diplomáticas mantém o ambiente de mercado instável.
Embora o recuo do dólar traga alívio momentâneo, o avanço do petróleo e o risco de novos desdobramentos no Oriente Médio indicam que a volatilidade deve continuar, com impactos diretos na economia global e nos preços internos.