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Master movimentou R$ 12,2 bi em 67 fundos de investimento suspeitos
Dados enviados à CPMI do INSS revelam concentração de recursos em gestoras investigadas e operações com lucros milionários em curto prazo
14/04/2026 17h33
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Dados da Receita Federal revelam que o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, movimentaram R$ 12,2 bilhões em fundos de investimento entre 2017 e 2025. As informações foram enviadas à CPMI que investigou fraudes no INSS e indicam forte concentração de recursos em fundos ligados a estruturas já investigadas por suspeitas de irregularidades financeiras.

Segundo o levantamento, os aportes foram distribuídos em 184 contas, vinculadas a 67 fundos diferentes. Desse total, cerca de 44% — o equivalente a R$ 5,3 bilhões — foram direcionados a fundos ligados à gestora Reag, que também é alvo de investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Além disso, fundos administrados pela Trustee receberam R$ 6,3 bilhões, o que representa mais da metade dos recursos aplicados no período. Parte dessas movimentações está sob análise de órgãos de controle por indícios de operações atípicas, possível ocultação de riscos e manipulação de resultados.

No mesmo intervalo, o Banco Master resgatou R$ 6,8 bilhões das aplicações, enquanto Vorcaro sacou R$ 581 milhões. Os dados fazem parte do sistema e-Financeira, que reúne informações detalhadas sobre movimentações bancárias e investimentos no país.

Operações suspeitas, fundos interligados e lucros fora do padrão

A investigação aponta que uma parcela relevante dos recursos foi aplicada em fundos estruturados em cadeia, com interligações entre si e forte concentração em ativos ligados ao próprio grupo econômico.

Entre os principais destinos está o fundo Scarlet FIDC, administrado pela Reag, que recebeu R$ 2,5 bilhões. Outro destaque é o Montenegro FIDC, da Trustee, com R$ 2,4 bilhões — sendo este último com cotista único ligado ao próprio Banco Master.

No caso de Vorcaro, o principal investimento foi no fundo Hans II FIP Multiestratégia, também vinculado ao grupo Reag. O fundo chegou a ter patrimônio de R$ 3,6 bilhões, mas sofreu uma queda abrupta para R$ 83 milhões após reavaliações de ativos ligados à empresa Golden Green Participações, do próprio grupo do banqueiro.

As apurações indicam que o Hans II operava como parte de uma estrutura em cascata: investia em outros fundos, que por sua vez aplicavam recursos em empresas relacionadas, elevando artificialmente o valor dos ativos.

Outro ponto que chama atenção são operações de compra e venda de cotas com ganhos expressivos em curtíssimo prazo. Em um dos casos, Vorcaro comprou cotas por R$ 2,5 milhões e vendeu no dia seguinte por R$ 294,5 milhões — uma valorização de mais de 11 mil%.

Em outra operação, o banqueiro transformou R$ 10 milhões em R$ 160 milhões em apenas uma semana. Somadas, essas transações renderam mais de R$ 440 milhões em lucro, com valorização dezenas de vezes acima do capital inicial.

As investigações também apontam a transferência de cerca de R$ 700 milhões para uma offshore nas Ilhas Cayman em 2025, reforçando suspeitas de movimentações internacionais para ocultação de patrimônio.

A gestora Reag, que aparece como peça central nas operações, já foi alvo de ações policiais e teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. Ela também é citada em investigações que apuram possíveis ligações com esquemas de lavagem de dinheiro e organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O que está em apuração

As autoridades investigam se a estrutura financeira montada teria sido utilizada para:

O material agora integra diferentes frentes de investigação e pode embasar novas ações judiciais e administrativas contra os envolvidos.