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Ex-presidente do BRB é preso em investigação ligada ao Banco Master
Polícia Federal aponta que seis imóveis avaliados em até R$ 146 milhões foram usados em suposto esquema de corrupção com o Banco Master
16/04/2026 14h49 Atualizada há 4 horas
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16), suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo as investigações, o ex-diretor teria recebido ao menos seis imóveis de alto padrão — localizados em São Paulo e Brasília — como forma de pagamento de propina. Os bens estão avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, dos quais aproximadamente R$ 74 milhões já teriam sido efetivamente pagos.

De acordo com a Polícia Federal, os imóveis fariam parte de um acordo para favorecer interesses privados dentro do banco público, especialmente em negociações envolvendo a tentativa de compra do Banco Master e operações com carteiras de crédito.

Em um dos trechos, Vorcaro afirma: “Fiz as contas para chegar no valor que combinamos”, indicando um alinhamento prévio sobre o montante a ser pago.

Para os investigadores, o conteúdo das mensagens chama atenção pela naturalidade com que os dois tratam de temas relacionados a valores milionários, imóveis de luxo e estratégias financeiras, o que reforça a suspeita de corrupção estruturada.

Imóveis faziam parte de planejamento pessoal

As mensagens mostram que os imóveis não eram tratados apenas como ativos financeiros, mas também como parte de um planejamento pessoal do ex-presidente do BRB.

Em diálogos, Paulo Henrique relata visitas a empreendimentos com a esposa, comenta preferências e pede novas opções para comparação. Em outro momento, demonstra preocupação com a entrega dos imóveis, enquanto Vorcaro se compromete a atender às demandas.

A PF aponta que esse nível de detalhamento indica que os bens estavam sendo destinados diretamente ao ex-diretor como contrapartida pelos supostos favores.

PF aponta favorecimento dentro do banco público

De acordo com a investigação, Paulo Henrique Costa teria atuado dentro do BRB para beneficiar o Banco Master, desrespeitando práticas de governança e facilitando operações sem lastro adequado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também cita indícios de que o ex-presidente do banco público atuava como um “mandatário de interesses privados” dentro da instituição.

Além dele, o advogado Daniel Monteiro também foi preso. Ele é apontado como responsável por estruturar empresas de fachada e mecanismos financeiros para ocultar a origem dos imóveis e disfarçar o real beneficiário dos bens.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirma que ele não cometeu qualquer crime e classificou a prisão como exagerada. Segundo os advogados, todas as decisões no BRB eram colegiadas e seguiam práticas comuns do mercado financeiro.

A investigação segue em andamento, e a Polícia Federal deve aprofundar a análise dos documentos e mensagens apreendidos para encaminhar o caso à Justiça.