O cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor às 18h desta quinta-feira (16), no horário de Brasília. A trégua, com duração inicial de 10 dias, foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após negociações com lideranças dos dois países.
Segundo Trump, o acordo foi costurado em conversas com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que já determinou esforços diplomáticos para avançar em direção a um acordo mais duradouro. “Instruí o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, juntamente com o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, a trabalharem com Israel e o Líbano para alcançar uma paz duradoura”, escreveu.
Do lado israelense, até o momento, não houve um posicionamento oficial público. Informações indicam que o gabinete de segurança do país se reuniu para discutir os termos da trégua e avaliar seus desdobramentos.
Já o Hezbollah sinalizou que poderá respeitar o cessar-fogo, mas condicionou o compromisso à interrupção total das ações militares por parte de Israel. O parlamentar Ibrahim Moussawi afirmou que o grupo defende que o acordo abranja todo o território libanês e inclua a retirada das forças israelenses.
Apesar da sinalização, o Hezbollah reiterou que se opõe a negociações diretas com o governo israelense, o que mantém incertezas sobre a estabilidade da trégua.
Após o anúncio do cessar-fogo, Donald Trump afirmou que pretende convidar Benjamin Netanyahu e Joseph Aoun para uma reunião na Casa Branca nas próximas semanas.
Caso ocorra, o encontro pode marcar uma das primeiras tentativas relevantes de diálogo direto entre Israel e Líbano desde 1983, em um movimento que busca avançar para uma solução diplomática mais ampla no conflito.
A comunidade internacional reagiu com cautela ao início da trégua. Países do Oriente Médio e aliados globais classificaram o cessar-fogo como um passo positivo, mas destacaram a necessidade de cumprimento rigoroso dos termos do acordo.
Os Emirados Árabes Unidos consideraram a medida importante para a estabilidade regional. Já países como Jordânia, Arábia Saudita e Omã reforçaram o apoio à iniciativa diplomática.
O Egito pediu que Israel respeite a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê o fim das hostilidades entre o país e o Hezbollah. Por outro lado, o Irã, aliado do grupo libanês, afirmou que acompanha o cenário com cautela.
Enquanto isso, lideranças no norte de Israel criticaram a pausa nas operações militares, defendendo a continuidade das ações contra o Hezbollah.
A trégua ocorre após semanas de intensificação dos confrontos na fronteira entre Israel e Líbano, em um cenário que também se conecta a tensões mais amplas no Oriente Médio, envolvendo disputas indiretas entre potências regionais e globais.
Na terça-feira (14), representantes dos dois países chegaram a se reunir em Washington, mas sem alcançar um acordo imediato — apenas o compromisso de manter negociações futuras.
Agora, o cessar-fogo de 10 dias surge como uma tentativa de interromper temporariamente os combates e criar espaço para avanços diplomáticos. Ainda assim, especialistas apontam que a efetividade da trégua dependerá do cumprimento das condições por ambas as partes e da capacidade de mediação internacional nos próximos dias.