A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), a admissibilidade da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um.
O parecer favorável foi apresentado pelo deputado Paulo Azi (União-BA) e aprovado em votação simbólica, sem registro nominal dos votos. Com isso, a proposta segue agora para análise de mérito em uma comissão especial.
A análise da CCJ se limita à constitucionalidade da proposta — ou seja, se ela pode tramitar no Congresso. O conteúdo efetivo da mudança ainda será debatido nas próximas etapas.
O relatório reúne duas propostas principais:
Atualmente, a legislação brasileira permite jornada máxima de 44 horas semanais.
A proposta será analisada por uma comissão especial, que deve discutir o mérito e possíveis ajustes no texto. A expectativa é que o colegiado seja criado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda nesta semana.
Caso avance, a PEC ainda precisará:
Mesmo sem analisar o mérito, o relator apontou pontos que devem ser debatidos:
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a redução da jornada de 44 para 40 horas pode aumentar os custos das empresas entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões por ano, com impacto de até 7% na folha salarial.
Além da PEC, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou um projeto de lei que trata do tema.
A proposta do Executivo prevê:
Esse projeto tem tramitação mais rápida, mas pode avançar paralelamente à PEC até que o Congresso defina qual modelo terá maior viabilidade política.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses e se tornou uma das principais pautas trabalhistas em debate no país, envolvendo interesses de trabalhadores, empresas e governo.
A decisão final dependerá das negociações políticas e dos ajustes que serão feitos ao longo da tramitação no Congresso.