O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a defender a continuidade do chamado inquérito das fake news e afirmou que a investigação “vai acabar quando terminar”. A declaração foi dada em entrevista à TV Globo, em meio a críticas da oposição e a um embate recente com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Segundo o magistrado, o procedimento ainda é necessário diante do que classificou como ataques constantes ao Supremo Tribunal Federal. O inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, foi aberto em 2019 para apurar ameaças e desinformação contra integrantes da Corte e, ao longo dos anos, teve seu escopo ampliado.
“O tribunal tem sido vilipendiado [...] é preciso que haja resposta”, afirmou Gilmar.
Na semana passada, Gilmar também pediu à Procuradoria-Geral da República a investigação do senador Alessandro Vieira por possível abuso de autoridade, em razão da atuação como relator da CPI.
O ministro criticou diretamente o conteúdo do relatório, afirmando que houve desvio de finalidade ao tentar responsabilizar integrantes do Supremo.
O embate político se intensificou após Gilmar Mendes solicitar a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news.
O pedido foi motivado por um vídeo publicado nas redes sociais em que decisões do STF são criticadas de forma satírica. Para o ministro, o conteúdo atinge a honra da Corte e de seus integrantes.
Zema reagiu, classificando a medida como “absurda” e republicando o vídeo. Parlamentares da oposição também criticaram a iniciativa, alegando risco à liberdade de expressão.
O inquérito das fake news é alvo de questionamentos desde sua criação, especialmente por sua duração — já são mais de sete anos de tramitação — e pela concentração de atribuições no Supremo.
Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já manifestaram preocupação com a extensão das investigações e pediram providências para sua conclusão.
Apesar disso, Gilmar Mendes reforçou que a continuidade do inquérito é necessária, ao menos até o período eleitoral, diante do cenário de tensão institucional e ataques à Corte.
A discussão sobre os limites, a duração e o alcance da investigação segue no centro do debate político e jurídico em Brasília.