O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que determinou a retirada das credenciais de um agente do governo dos Estados Unidos que atuava dentro da sede da corporação, em Brasília.
A decisão foi tomada com base no princípio da reciprocidade, após o governo norte-americano adotar medida semelhante contra um delegado brasileiro que atuava em Miami.
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Rodrigues em entrevista à GloboNews.
A reciprocidade é um mecanismo comum nas relações diplomáticas, em que um país responde a uma ação de outro com medida equivalente.
No caso, o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação com o ICE, foi orientado a deixar os Estados Unidos.
Segundo Rodrigues, não houve expulsão formal, mas a decisão motivou a reação da PF.
“À medida que uma agência tira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do policial norte-americano que está aqui”, explicou.
Com a retirada das credenciais, o agente norte-americano:
Apesar disso, Rodrigues ressaltou que o agente não será expulso do Brasil, assim como o delegado brasileiro também não foi formalmente expulso dos EUA.
A medida ocorre em meio a um desgaste pontual na cooperação entre os dois países, que mantêm mais de uma dezena de acordos de atuação conjunta na área de segurança.
Rodrigues destacou que o delegado brasileiro atuava dentro desses acordos e classificou sua atuação como exemplar, citando a localização de dezenas de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos.
O caso também envolve a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que havia fugido do Brasil após condenação e foi detido em território americano.
“O que eles fizeram conosco, nós vamos fazer com eles”, afirmou Lula.
O presidente também destacou a expectativa de que os dois países retomem o diálogo institucional para normalizar a cooperação entre as autoridades.
Segundo a Polícia Federal, o caso ainda depende de esclarecimentos formais por parte das autoridades norte-americanas, especialmente do Departamento de Estado e do próprio ICE.
Enquanto isso, o Itamaraty conduz tratativas diplomáticas para evitar o agravamento da situação e preservar os acordos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos.