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Lula diz que vai levar jabuticaba para “acalmar Trump” após crise diplomática
Presidente cita “jabuticaba calmante” durante evento da Embrapa em Brasília
23/04/2026 17h24
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (23), em tom descontraído, que pretende levar um pé de jabuticaba ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como forma de “acalmar” o líder americano.

A declaração foi feita durante participação na Feira Brasil na Mesa, promovida pela Embrapa, em Planaltina, no Distrito Federal, no primeiro evento público de Lula após retorno de viagem à Europa.

“Vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Trump para acalmar ele. Dizer que jabuticaba é calmante. Levar maracujá”, disse o presidente.

Declaração ocorre em meio a tensão com os EUA

A fala acontece em um momento de desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, intensificado após o episódio envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem.

A prisão e posterior liberação de Ramagem em território norte-americano desencadearam uma série de reações diplomáticas, incluindo:

Além disso, divergências sobre o cenário internacional — especialmente em relação aos conflitos no Oriente Médio — também ampliaram o distanciamento entre Brasília e Washington.

Durante o evento, Lula destacou o potencial produtivo do país e criticou o foco excessivo na exportação, defendendo maior valorização do mercado interno.

“Às vezes a gente esquece que tem um mercado extraordinário no país”, afirmou.

O presidente também visitou o chamado “pomar da ciência”, onde foram apresentados cultivos como:

A feira reúne tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para fortalecer a agricultura familiar, com foco em aumento de produtividade, redução de perdas e geração de renda.

Agricultura como estratégia política e econômica

Lula voltou a defender o papel estratégico da agricultura familiar no combate à fome e no desenvolvimento econômico.

Segundo o presidente, o Brasil pode utilizar seu potencial agrícola também como ferramenta de cooperação internacional, citando iniciativas voltadas ao continente africano.

“Enquanto Trump quer fazer guerra, o Brasil quer ensinar o povo africano a fazer paz produzindo alimentos”, declarou.

A fala reforça a posição do governo brasileiro em defesa de soluções diplomáticas para conflitos internacionais, em contraste com a atuação militar de outras potências.

A declaração sobre a jabuticaba, apesar do tom leve, ocorre em um cenário diplomático sensível, marcado por:

Mesmo assim, o governo brasileiro mantém a sinalização de diálogo e busca de normalização das relações com os Estados Unidos.