O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos chorou ao gravar um vídeo de despedida após ser transferido de Cocalzinho de Goiás para Águas Lindas de Goiás. A remoção ocorre em meio à repercussão do caso envolvendo a prisão da advogada Áricka Rosalia Alves Cunha.
No vídeo, o delegado afirma que as lágrimas não são de revolta, mas de gratidão pelo apoio recebido. “Essas lágrimas aqui não são por causa da injustiça, mas sim pelo imenso apoio do povo”, disse.
O nome do delegado passou a ganhar destaque após a prisão da advogada, no dia 15 de abril, dentro do próprio escritório, sob acusação de desacato.
O episódio teve início semanas antes, quando Áricka registrou um boletim de ocorrência após ser ofendida nas redes sociais. O caso foi arquivado provisoriamente pela delegacia, sob justificativa de falta de efetivo.
Inconformada, a advogada pediu o desarquivamento e publicou os despachos nas redes sociais. Após as postagens, o delegado foi até o escritório e efetuou a prisão.
A repercussão levou a Polícia Civil de Goiás a adotar medidas administrativas. Entre elas, a criação da Portaria nº 323/2026, que proíbe delegados de atuarem em casos nos quais sejam partes diretamente envolvidas, para garantir imparcialidade.
Antes disso, uma decisão judicial já havia impedido o delegado de atuar em procedimentos relacionados à advogada, após pedido da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás.
A mudança de lotação foi determinada após pedido da OAB-GO e decisão administrativa da corporação. O caso segue sendo acompanhado por órgãos de controle e pode gerar desdobramentos disciplinares.
A advogada foi liberada após pagamento de fiança, e sustenta que a prisão foi arbitrária. Já o delegado afirmou, à época, que agiu dentro da legalidade.